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Junho 21, 2011

Prefácio a Antologia Temática de Poesia Africana

Não existe, no nosso caso, um documento comparável ao Manifesto de Légitime Défense, que propunha uma “ideologia de revolta” e formulava uma orientação precisa para os escritores negros de expressão francesa; o facto literário surgiu, porém, com ardor e talento, muito antes dos anos trinta deste século, ficando bloqueado, pelo condicionalismo colonial, no interior das fronteiras dos países de eclosão.

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Cinema guineense: referências a Amílcar Cabral

O artigo apresenta uma análise comparativa da figura do líder pró-independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, Amílcar Cabral (1924-1973), presente na comédia musical Nha Fala (2001) e na comédia dramática Udju azul di Yonta (1992), ambas do cineasta guineense Flora Gomes. Objetiva-se demonstrar a complexidade que é conferida à sua atuação e aos rumos tomados por seus seguidores.

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A economia moral da feitiçaria: um ensaio em história comparativa – II

A figura retórica central das várias tentativas de definição de economia moral tem sido a oposição entre, por um lado, o indivíduo maximizador e o mercado da economia política clássica em constante expansão e, por outro, uma comunidade regida por normas de sobrevivência coletiva e acreditando num universo de soma zero: i.e. um mundo onde todo o lucro é ganho à custa do prejuízo de alguém. A soma comunal-zero desta equação é, de modo geral, consistente com crenças africanas que identificam capitalismo e feitiçaria como a perigosa apropriação de limitados recursos reprodutivos por indivíduos egoístas.

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António Pompílio – Fronteira: a passagem do limite

A angústia apodera-se do sujeito lírico, somente a poesia pode recompor o que o homem perdeu após tantos caminhos equivocados, decisões injustas refletidas no uso incorreto do verbo: “Apunhalaram a palavra. Feridas crónicas no reverso do verso. O sangue tem a cor da minha voz, no avesso do silêncio. Permite-me abrir a passagem do limite.// Repara. A palavra é uma fronteira. É uma meta fora. A poesia é a água sem a metáfora da mágoa”

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