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Março 22, 2021

A antropofagia e o tropicalismo na formação da identidade cultural brasileira

A formação da identidade cultural brasileira desdobrou-se num processo que foi buscar as origens indígenas, assim como a própria herança europeia. No entanto, parte da sua expressão cultural começou a ser orientada por um ideal modernista, também fruto dos movimentos artísticos da Europa. Porém, a grande distinção seria a sua integração nestas ramificações que advêm das origens primárias do povo brasileiro, disperso por um território tão amplo. Por isso, faz sentido viajar ao conceito de antropofagia e à emergência do tropicalismo, ambos cruciais naquilo que é a cultura brasileira tal como é conhecida hoje.

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A classe, a raça e o género em Angela Davis

Angela Davis tenta dar voz às mulheres de etnia negra, silenciadas durante o percurso da história, ao desconstruir as correntes feministas convencionais para poderem abarcar a questão da raça e das suas vicissitudes. Portanto, nunca é transparente que Davis se assuma como uma feminista, já que a sua preocupação em momento algum descarta essa dimensão racial. É uma linha de pensamento que, cruzando o ativismo e a militância política com a formação intelectual, se vai desenvolvendo da classe e da raça até à questão do género, que lhe chega nas relações profissionais que vai experienciando na própria militância, mesmo no próprio seio das comunidades negras.

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Mediterrâneo: “As mulheres foram apagadas da história da migração”

A imagem da mulher passa pelo estereótipo profundamente enraizado que remonta à antiguidade. É a ideia de que as mulheres estão imóveis, à espera, no espaço do lar e da reprodução da família. Estão, portanto, ancoradas enquanto os homens navegam. Esta é uma das razões pelas quais a migração das mulheres não foi discutida durante muito tempo. Não parece natural imaginar mulheres em movimento.

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“Marielle foi morta porque era negra”

Falar de “feminicídio político” corre o risco de reduzir a morte de Marielle a um assassinato político quando é mais do que isso. O assassinato de Marielle também fala da política de assassinato sistémico de mulheres negras no Brasil. Aqui, os nossos corpos são os mais vulneráveis: o próprio Estado considera-os descartáveis. Para mim, Marielle não foi morta porque foi eleita ou porque era uma política, foi morta porque era uma mulher negra, porque era uma mulher bissexual, uma favelada e uma mãe solteira. Se for uma mulher como a Marielle e entrar numa instituição dirigida por um grupo de homens brancos e heterossexuais, está destinada a atrapalhar. Nenhuma pessoa branca teria sido morta desta forma.

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