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“A radiação silenciosa” no norte do Níger: o escândalo de Arlit

No norte do Níger, mais precisamente nas cidades mineiras de Arlit e Akokan, o urânio é explorado pelas sociedades SOMAIR e COMINAK, ambas filiais da multinacional AREVA que é o 2º maior produtor de urânio a nível mundial, cuja produção maioritária vem do Níger onde o grupo está estabelecido há mais de 40 anos.

Este ensaio é elaborado a partir do cruzamento de informação que fiz entre o relatório “Abandonnés dans la poussière: L’héritage radioactif d’AREVA dans les villes du désert nigérien” de 2009 da Greenpeace, os links de acesso aos vários relatórios da CRIIRAD que me foram enviados por Bruno Chareyron, engenheiro em Física Nuclear e Responsável do Laboratório CRIIRAD (Commission de Recherche et d’Information Indépendantes sur la Radioactivité, em português, Comissão de Pesquisa e de Informação Independentes sobre a Radioactividade) e a documentação enviada por Sandra Cossard da ONG SHERPA (Associação de juristas unidos para defender as populações vítimas de crimes económicos). Estas três organizações iniciaram a sua acção a partir de um apelo lançado por uma ONG local, a associação AGHIR IN MAN.

Existe claramente um escândalo de saúde pública, os impactos na saúde da população são demasiado evidentes desde que o grupo opera nesta região, mas só muito recentemente o assunto se tornou público. Apesar desta visibilidade- muito longe da visibilidade esperada, se tivermos em conta a gravidade das consequências da negligência da multinacional AREVA como veremos adiante- o assunto é tabu na região e a população preocupa-se mais coma pobreza do que com os efeitos secundários a curto e longo prazo provocados pela extracção de urânio.

Cruzando os resultados obtidos por estudos anteriores, gostaria de explicar quando e porquê começaram estas acusações contra a gigante AREVA. Quais os resultados obtidos dos relatórios, esta a actividade mineira relacionada com a saúde precária da população? O que é a desigualdade nuclear?

Será necessário abordar alguns tópicos: contextualização geográfica e da população, como começou o monopólio do urânio pela França e como se explica a sua presença intensa no Níger. Gostaria de concluir este ensaio com uma reflexão pessoal sobre o assunto, tendo em conta o que mudou, depois do mesmo se ter tornado público com o envolvimento das ONG´s.

É na cidade mineira de Arlit, no Norte do Níger, e da exploração das empresas SOMAIR e COMINAK, filiais de AREVA que este ensaio se debruça.

Contexto Geográfico e Populacional do Níger

A República do Níger é o país mais vasto da África Ocidental em termos de área geográfica, 80% do território é ocupado pelo Deserto do Sahara, só a sul existe uma faixa verde fértil por causa do Rio Níger. O acesso à água potável limita gravemente o dia-a-dia das populações, a produção agrícola é escassa e estima-se que o avanço do deserto seja de 6 km por ano. Desde 1990, a floresta perdeu um terço da sua superfície e cobre apenas 1% do território. [1] O Níger é o segundo pior país para se viver numa escala de 169 países, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2011.[2]

Os resultados são avançados pela ONU (Organizações das Nações Unidas), através do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e é medido através do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). O IDH não reflecte apenas factores de crescimento económico mas tem em conta também factores como a educação e a saúde. Segundo este relatório recente, 40% das crianças sofrem de subnutrição, ¾ da população é analfabeta e o acesso a água potável é deficiente.

No entanto, apesar destes números, o Níger é um país extremamente rico em recursos minerais e é um dos maiores exportadores de uranio do mundo. As duas sociedades mineiras, a SOMAIR e a COMINAK são o segundo empregador do país, depois do Estado, e suas necessidades enormes de abastecimento beneficiam um grande número de empresas.

O desenvolvimento da indústria do urânio e as actividades de AREVA no Níger:

O desenvolvimento da indústria do urânio nasce no final da II Guerra Mundial. Perante um mundo divido entre dois grandes blocos: URSS e EUA, as descobertas, pesquisas e o desenvolvimento na indústria mineira foram particularmente rápidos, impulsionado pelas incertezas de um mundo bipolarizado e pela experiências das primeiras bombas atómicas. O objectivo da França na implementação desta indústria era assegurar a sua defesa para fins militares, mas acabou por canalizar a indústria para fins energéticos e produzir electricidade.

A exploração de urânio no Níger assegura um terço dos aprovisionamentos da multinacional AREVA e portanto das centrais nucleares da EDF[3] (“Électricité de France”), a maior produtora e distribuidora de energia em França. AREVA é o principal grupo industrial na pesquisa de novas jazidas no Níger e a explorar as já existentes.

Segundo a última convenção mineira estratégica, assinada em Janeiro de 2009, entre a multinacional Areva e o Governo da República do Níger, foi permitido ao grupo nuclear francês a exploração das jazidas de Imouraren, apresentada por Areva como “a mina mais importante de toda a Africa e a segunda maior do mundo”. Quando a mina se encontrar em pleno funcionamento o Níger tornar-se-á o segundo maior produtor mundial de uranio, depois do Canada.

O apelo da associação local AGHIR IN MAN e a resposta das organizações internacionais: Um primeiro impacto. (Missão preliminar de 2003)

Nesta exposição da missão de 2003, interessou-me focar o lado humano da missão. A partir de uma suspeita e de um apelo, nasce uma colaboração que acaba por se estender por vários anos. Quem o lançou, a quem, como actuaram e o que observaram. Quais as dificuldades? Qual o impacto deste primeiro contacto? Um primeiro contacto com uma realidade que existe há quarenta anos e que ninguém de fora ainda observou.

Os resultados científicos deste primeiro levantamento estão disponíveis nos links que deixarei abaixo.

A ONG AGHIR IN MAN é uma associação criada em Arlit e reconhecida pelas autoridades nigerinas em 2001. Os seus objectivos são a protecção do ambiente, o bem-estar da população (educação, saúde, direito das mulheres). Os militantes da Associação são quase todos trabalhadores da SOMAIR (filial da AREVA).

Arlit é uma cidade mineira construída há quarenta anos, desde o inico da exploração de uranio na região e os censos de 2011 indicam que a cidade conta hoje com 69 435 habitantes.

O presidente da associação, o Sr Almoustapha ALHACEN, também trabalhador da mina, faz apelo à SHERPA (a ONG de juristas apresentou-se no terreno com uma responsável de missão, um magistrado e uma equipa de filmagem do Canal +) e à CRIIRAD (Comissão de Pesquisa e de Informação Independentes sobre a Radioactividade) no sentido de saber se os problemas de saúde observados na população estavam ou não relacionados com a actividade mineira. Em 2003, estas duas organizações respondem ao apelo numa primeira missão de controlo radiológico.

Moustapha Alhacen (Trabalhador nas minas e Presidente da ONG AGHIR IN MAN)Moustapha Alhacen (Trabalhador nas minas e Presidente da ONG AGHIR IN MAN)

À chegada de Arlit, esta equipa constata a preocupação geral da população que vê as condições sanitárias degradarem-se progressivamente há alguns anos. As famílias não sabem a causa de morte dos seus parentes e os sintomas das doenças são estranhos à população. Durante esta primeira missão, uma primeira particularidade relevante é constatada: as duas sociedades mineiras, SOMAIR e COMINAK, espaçadas apenas de alguns quilómetros, financiaram na totalidade a construção de dois novos hospitais quando existia já um estabelecimento público em Arlit.

É curioso observar no documentário de 2003, realizado pelo jornalista Michel Despratx, que a população não tem acesso aos resultados médicos observados nos hospitais das cidades mineiras. Aparentemente estes silêncios da parte do hospital são comuns a toda a população.

Uma mulher entrevistada diz que o seu marido esteve doente durante quatro anos, tinha dores no peito, tossia muito, vomitava sangue. Quando foi ao hospital de Agadez (uma localidade no Norte do Níger situada a 200km das cidades mineiras) o diagnóstico foi que “os pulmões não tinham salvação possível.” No entanto, o diagnóstico do hospital da cidade mineira era que o seu marido sofria de diabetes e tensão alta.[4] O seu marido acabou por morrer.

Um ex- funcionário do hospital, cansado das omissões do hospital da COMINAK, procura a equipa da SHERPA e revela no mesmo documentário- com a identidade protegida e voz disfarçada que os resultados são deturpados. “Em vez de cancro, dizem-te que tens malaria, SIDA etc. Se disseres a alguém que tem SIDA, a pessoa não te faz mais perguntas”[5].

Ao fim de 30 entrevistas efectuadas, a SHERPA acredita estar no meio de uma operação de “dissimulação sistemática”. Nenhuma pesquisa epidemiológica foi feita sabendo que poderia haver uma ligação com as várias infecções alérgicas e respiratórias registadas pela população. Os problemas respiratórios nesta região são duas vezes superior aos níveis nacionais.[6] Nenhum tipo de cancro foi diagnosticado na localidade de Arlit quando várias testemunhas afirmaram que antigos trabalhadores teriam morrido de problemas no fígado e pulmões.

Outra particularidade não menos curiosa é que o controlo radiológico era efectuado por uma empresa especializada, a ALGADE, até há pouco tempo filial do grupo AREVA, segundo avança a SHERPA, logo é impossível determinar com rigor e imparcialidade se as análises radiológicas até à data estariam na origem dos sintomas dos trabalhadores das minas.

A realidade é gritante, existe um verdadeiro sistema para ocultar as causas das patologias e dessas mortes. Por um lado, o grupo Areva desmente e por outro lado, vários documentos enviados anonimamente a estas organizações em pesquisa provam que o grupo empresarial está ao corrente e negligenciam a situação sanitária neste país africano. Estes documentos são cópias de correios enviados pela ALGADE à SOMAÏR em 2004 [7] e provam que as sociedades mineiras estavam ao corrente de que as directrizes europeias e a regulamentação francesa não estavam a ser respeitadas.

Durante esta expedição, a CRIIRAD encontrou varias dificuldades. As sociedades mineiras fizeram pressão sobre a ONG local para anular a missão e os aparelhos para medir a radioactividade foram retirados à chegada ao aeroporto de Niamey. A equipa prosseguiu a medição radiométrica apenas com um contador Geiger (detector de radioactividade) que conseguiram esconder mas de resolução mais simples

Depois desta missão preliminar de 2003, a CRIIRAD, a SHERPA e a GREENPEACE INTERNACIONAL continuaram as suas pesquisas no terreno.

A Herança Radioactiva: relatório de 2010 das organizações CRIIRAD E GREENPEACE INTERNACIONAL

Em termos gerais, durante o período de 2003 a 2010, estas organizações preocuparam-se em continuar as suas pesquisas e puderam contar com a colaboração umas das outras, nos vários trabalhos publicados.

O relatório mais recente foi publicado em 2010, pela Greenpeace Internacional e conta com a colaboração do laboratório independente da CRIIRAD e uma ONG do Níger, a ROTAB (Rede de Organizações para a Transparência e a Análise Orçamental).

Muitos dos problemas observados em 2003 repetem-se neste relatório. Embora de forma muito resumida, é útil quantificar e observar a partir de dados mais recentes, os problemas originados pela extracção de urânio na localidade de Arlit, dividindo os factos em três áreas: água, ar e solo. 

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A água:

Em quarenta anos de exploração mineira, 270 milhares de litros de água foram utilizados o que provocou a poluição da água e a redução do aquífero situado entre as duas cidades mineiras de Arlit e Akokan. A água, bombeada a 150 metros do solo, provem do aquífero de Tarat, o que significa que é dificilmente renovável e poderá levar milhares de anos a encher novamente.

As duas minas atravessam o aquífero de Tarat logo, os componentes radioactivos anteriormente imobilizados nos minerais, e portanto isolados no solo, sofrem agora perturbações pelo efeito da exploração mineira podendo contaminar facilmente o lençol freático.

Depois dos relatórios publicados pela CRIIRAD em 2003, vários poços de água foram fechados. Nas pesquisas de 2009, a concentração de uranio continua superior ao limite recomendado pela OMS. AREVA ainda não fechou todos os poços contaminados em Arlit.

Esta provado que nos últimos 20 anos há um aumento da concentração de uranio, pelo que o impacto da exploração mineira é comprovado. Outros químicos e metais encontrados excedem os valores recomendados pela OMS, segundo o relatório da GREENPEACE.[8]

O ar

A actividade das minas de uranio pode levar a dispersão de componentes radioactivos no ar, não só pela difusão de poeiras radioactivas mas através do gás radão (extremamente nocivo).O gás radão representa a causa principal de exposição às radiações das explorações mineiras, principalmente por via da inalação. As taxas de mortalidade devido a doenças respiratórios na cidade de Arlit (16,12%) são duas vezes superiores à media nacional (8,54%).

Areva nunca informou dos riscos inerentes à inalação das poeiras das minas nem forneceu qualquer equipamento para os trabalhadores se protegerem dos fumos ou das poeiras. Gigo Zaki foi empregado da SOMAIR durante 30 anos antes de se reformar por problemas de saúde: “Nunca ninguém nos deu nada para proteger o nariz e a boca. Eramos tratados que nem animais.” Gigo Zaki era o único encarregado da lavandaria da SOMAIR, o trabalho dele era lavar a roupa dos trabalhadores das minas. Hoje está reformado, as suas mãos e pés estão paralisados.

Por razoes de segurança impostas à equipa da Greenpeace, não foi possível efectuar as medições nos locais perto das minas e estas foram feitas na zona urbana, a vários quilómetros das fontes principais. O resultado a esta distância foi este: as medições de radão indicam um nível anormalmente elevado de radão no ar.

O Solo

Algumas amostras recolhidas em 2009 pela Greenpeace, e analisadas pela CRIIRAD, nos solos em volta da mina subterrânea de COMINAK revelam uma concentração em uranio e outros materiais radioactivos 100 vezes superiores aos limites internacionais.

Outro problema grave é a lixeira a céu aberto. São 35 milhões de toneladas de dejectos acumulados durante os quarenta anos de exploração mineira que se encontram expostos ao ar livre. Estes resíduos contêm 85% da radioactividade de origem do mineral, e permanecerão activos durante centenas de milhares de anos. Areva justifica-se, dizendo que as más práticas verificadas se devem às normas medíocres que estavam em vigor no início da exploração, há quarenta anos atras.

Durante a missão de 2003, observou- se a questão da reutilização das ferragens provenientes das minas. Nessa altura, a CRIIRAD alertou AREVA do problema mas esta só tomou medidas muito depois. Em 2009, anos depois desta acção ainda é possível identificar muito material proveniente das minas e os níveis de radiação destas ferragens são 50 vezes superiores ao normal, constata a Greenpeace no local.

Almoustapha Alhacen, presidente da ONG AGHIR IN MAN acredita que AREVA nunca se preocupou muito com essa questão por uma questão financeira. Estas ferragens foram cedidas à população durante 40 anos, “se pedir a alguém que construiu a sua casa com estas ferragens (contaminadas) de desmontar a casa, alguém vai ter de pagar”.[9]

 

Photo de Philip Reynae (Greenpeace)Photo de Philip Reynae (Greenpeace)

Os Protocolos assinados em 2009: uma pequena vitória

Ao fim de 4 anos a ONG SHERPA tem motivos para sorrir. Alguns avanços foram conseguidos. Os protocolos assinados a 19 de Junho de 2009, entre a sociedade AREVA, ONG SHERPA e os Médecins du Monde numa perspectiva de parceria legitimam os trabalhadores a recorrem aos serviços sociais do Estado de forma a ser prestada ajuda social, caso as doenças sejam de origem profissional.

Na sequência destes acordos é inaugurado a 6 de Dezembro de 2011 o Observatoire de la Santé de la Région d’Agadez (OSRA). O OSRA tem por objectivos fazer o seguimento médico de antigos trabalhadores e das populações expostas ao uranio nas minas de AREVA no Níger.

Os primeiros exames médicos estão previstos começar no 1º semestre de 2012.

Foto da capa tirada por Bruno Chareyron (CRIIRAD) 2003, em Arlit  Foto da capa tirada por Bruno Chareyron (CRIIRAD) 2003, em Arlit

Considerações finais:

Medidas urgentes e algumas mudanças. O fim do escândalo?

Existe um assunto muito mediático que não abordei para não me dispersar, uma vez que este assunto adivinha-se longo e aborda questões mais políticas e que fugiriam ao tema principal que é a saúde: a questão de que a exploração de uranio possa estar na origem das rebeliões tuaregues no Norte do Níger e que AREVA também possa estar envolvida nos conflitos directos.

É preciso não esquecer nunca que, durante anos a fio, a sociedade AREVA e os seus parceiros exploraram a população, a terra, o ar e a água, o bem mais precioso desta região e que os prejuízos irão perdurar por centenas de milhares de anos no ambiente. Para além de ter arruinado a saúde da população, esta a retirar-lhes o maior recurso mineral do país sem a população tirar qualquer proveito da extracção de uranio. É isto a desigualdade nuclear.

Entretanto a próxima localidade a ser explorada Imouraren levará o Níger ao pódio do segundo maior explorador de uranio do mundo. Esta mina está prevista abrir em 2013 e terá uma duração de cerca de 35 anos. O que acontecerá quando daqui a 10 ou 15 anos as minas de Arlit e Akokan tiverem esgotado? Um programa social tem de ser pensado para apoiar a população de Arlit e Akokan durante a exploração e quando as minas tiverem fechado.

Tendo em conta os efeitos irreversíveis que foram causados, dá-me a sensação que qualquer avanço nesta altura é irrisório se tivermos em conta o que aconteceu para trás.

Numa perspectiva mais optimista, a verdade é que as minas também empregam 80 mil pessoas, digamos que, esta realidade funciona como um mal necessário e portanto há que olhar para a frente nesta altura.

Não podemos esquecer que estes direitos adquiridos dos trabalhadores têm de ser articulados com alguma pro-actividade do Estado. O estado ganha com os acordos da exploração mas tem de ser pressionado para investir na população e em infra estruturas para a população.

Com a nova presidência no Níger, a subida de preço do uranio pelo Estado Nigerino e o fim da monopolização do uranio por Areva- uma vez que outros países entraram na corrida- esperemos todos que as coisas mudem para melhor. O papel das ONG´s que se verificou crucial nestas mudanças, deve continuar a seguir o desenrolar da história, e de muito perto.

Os desejos são claros relativamente a Imouraren. Os erros da SOMAIR e da COMINAK não se podem repetir.

Referências bibliográficas:

Relatórios:

1-Colaboração científica entre a CRIIRAD e a GREENPEACE INTERNACIONAL (Relatórios 2010, 2009, 2005 e 2003):

– CRIIRAD/ GREENPEACE (2010)« Remarques sur la situation radiologique dans l’environnement des sites miniers uranifères exploités par SOMAÏR et COMINAK (filiales d’AREVA) au Nord du NIGER”. https://www.criirad.org/actualites/dossiers2005/niger/greenpeace/niger_greenpeace_%20synthese.pdf

-Idem, (2009) Analyses radiologiques de sol prélevé par GREENPEACE au NIGER (secteur ARLIT et AKOKAN) https://www.criirad.org/actualites/dossiers2005/niger/greenpeace/niger_greenpeace_sol%20.pdf

-Idem (2005) « Impact de l’exploitation de l’uranium par les filiales de COGEMA-AREVA au NIGER Bilan des analyses effectuées par le laboratoire de la CRIIRAD en 2004 et début 2005 »

-Idem, (2003) Mission préliminaire CRIIRAD / SHERPA au Niger

https://www.criirad.org/actualites/communiques/niger/notecriiradfinal.pdf

-CHAREYRON,B. / CRIIRAD(2008) AREVA : Du discours à la réalité. L’exemple des mines d’uranium du Niger : https://www.criirad.org/actualites/dossiers2005/niger/liens_pdf/Note_Criirad.pdf

2-GREENPEACE, Abandonnés dans la poussière : L’héritage radioactif d’AREVA dans les villes du désert nigérien (Rapport  2010) https://www.greenpeace.org/international/Global/international/publications/nuclear/2010/LeftinthedustF.pdf

3-Relatório da OCDE 2007 (na sigla original, OECD- Organisation for Economic Co-operation and Development – 2007 Niger country study):

https://www.oecd.org/dataoecd/27/17/38562965.pdf

II)Documentários consultados:

 « Uranium : la Cogéma a-t-elle contaminé le Niger ?»  Realizado pelo jornalista Michel Despratx para o programa  «Lundi Investigation – 90 minutes » Canal +, difundido no dia 25 de Abril 2005 :

Filme 1/3 : https://www.youtube.com/watch?v=lutQSd11MBU

Filme 2/3: https://www.youtube.com/watch?v=yVcohTal8Zg&feature=related

Filme 3/3: https://www.youtube.com/watch?v=JQjRa0fPkNI&feature=related

-“Uranium, l’héritage empoisonné ». Realizado por Dominique Hennequin e Pascal Laurent . Produção : Nomades TV e Public Sénat com o apoio do CNC e da Région Lorraine :

-Filme 1/3: https://www.dailymotion.com/video/xeymhu_uranium-l-heritage-empoisonne-1-3_news#rel-page-1

-Filme 2/3: https://www.dailymotion.com/video/xeymmz_uranium-l-heritage-empoisonne-2-3_news#rel-page-1

-Filme 3/3: https://www.dailymotion.com/video/xeymsc_uranium-l-heritage-empoisonne-3-3_news#rel-page-2

 Sítios Internet consultados entre  26 Dezembro 2011 e 10 Janeiro 2012:

 1-ASSOCIAÇÃO AGH IN MAN (Niger):

https://www.cooperation.net/aghirinman/nos-objectifs-pour-mettre-la-question-de-l-uranium-au-coeur-de-l-action

2-SHERPA ONG que protege e defende as populações vítimas de crimes económicos: https://www.asso-sherpa.org/

3-Arquivos de documentos da FAO : «Land and environmental degradation and desertification in Africa» (Dégradation de la terre et de l’environnement, désertification en Afrique), 1995 :  https://www.fao.org/docrep/x5318e/x5318e02.htm

4- COMINAK  https://www.areva.com/EN/operations-602/cominak-operating-the-largest-underground-mine-in-the-world.html

5-SOMAIR: https://www.areva.com/EN/operations-675/somair-seeking-greater-competitiveness.html

6-The Encyclopedia of Earth:  https://www.eoearth.org/article/Uranium?topic=49557

7-Pesquisas  de artigos de 2007 efectuadas no site do Jornal “ Le Monde”: https://www.lemonde.fr/recherche/resultats.html?keywords=uranium&mode =and&exclude_words=&part=all&author=&date_selector=precise_date& onde só consegui amostras como esta: https://www.lemonde.fr/web/imprimer_archive/1,13-0,37-1000061,0.html

8-KEMPF, H. (26/4/2005) « Areva est accusée de contaminer l’eau potable d’Arlit, au Niger », Le Monde. Artigo retirado do blog : https://www.dissident-media.org/infonucleaire/niger3.html 

9-TUQUOI, J.P  ( 26/7/07) « Nucléaire: l’exploitation très critiquée de deux mines d’uranium d’Areva », Le Monde. Artigo retirado do blog : https://www.dissident-media.org/infonucleaire/niger3.html 

10-  DEDNIK, A. (2010) O urânio na raiz do conflito” Le Monde Diplomatique Brasil https://diplomatique.uol.com.br/print.php?tipo=ac&id=2752&PHPSESSID=1572c75b492e250e80fe4b59bb805891

11-   PORSPODER, I. (31 Janeiro de2008) « Le MNJ déclare la guerre de l’uranium », Le JDD https://www.lejdd.fr/International/Afrique/Actualite/Le-MNJ-declare-la-guerre-de-l-uranium-97772 

12-  AMNESTY INTERNACIONAL (03 Abril 2008) Niger: Executions and forced disappearances follow army reprisals: https://www.amnesty.org/en/for-media/press-releases/niger-executions-and-forced-disappearances-follow-army-reprisals-2008040

Fontes  sobre o urânio, efeitos na saúde e no ambiente:

World Nuclear Association: https://www.world-nuclear.org/info/Safety-and-Security/Radiation-and-Health/Nuclear-Radiation-and-Health-Effects/

Lenntech –Water disinfection, oxidation and recycling technologies (Technical University of Delft, the Netherlands): https://www.lenntech.com/periodic/elements/u.htm

The Depleted UF6 Management Information Network Web Site is an online repository of information about the U.S. Department of Energy’s (DOE’s) and uranium enrichment process: https://web.ead.anl.gov/uranium/guide/ucompound/health/index.cfm

HPS– Health Physics Society (Specialists in Radiation Safety): https://www.hps.org/publicinformation/ate/q754.html

U.S. Environmental Protection Agency : https://www.epa.gov/radiation/radionuclides/uranium.html

III) Anexo:

Entrevista (via skype) realizada no Domingo dia 5 de Janeiro de 2012 a Mohammed Ag  Boubacar, 30 anos, residente a Agadez:

Rita: Conheces pessoas que ficaram doentes por causa da radiação?

Mohammed: Conheço pessoas que trabalharam e continuam a trabalhar (alguns são supervisionados). Na realidade, todos os habitantes estão contaminados pela radiação porque estão em contacto todos os dias com os materiais utilizados, as poeiras da radiação (grandes quantidades de areia extraído do interior das minas e que são levadas a quilómetros de distancia pelo vento em volta da cidade), a água consumida…

Rita : Continua a haver silêncio por parte dos hospitais da cidade mineira ? Porque as reportagens datam de 2003 e 2005 portanto já houve alguma informação que saiu para a população, não?

Mohammed: Os hospitais como pertencem à sociedade AREVA não dizem nada.

Rita: Ainda? Os hospitais continuam a esconder os resultados??

Mohammed: Nunca dão os resultados

Rita: Então o que dizem à pessoa que foi examinada?

Mohammed: Prescrevem comprimidos para a febre. Nunca se fala em radiação.

Rita: Mas os pacientes são trabalhadores das minas…Não suspeitam que os sintomas podem estar relacionados com a radiação?

Mohammed: uma pessoa que nunca frequentou a escola nunca vai suspeitar de nada. E depois a maioria das pessoas confia nos médicos.

Rita: Mas mesmo depois dos escândalos que vieram a publico? As acções das ONG locais e internacionais..as reportagens?

Mohammed : AREVA é muito forte e tem o apoio do Estado (do Niger)

Rita: Conheces a associação local AGHIR IN MAN?

Mohammed: Não. Há muitas associações que lutam por esta causa mas sei que certos responsáveis recebem cheques da AREVA e fazem de conta que defendem…

Rita: Como podes tu ter a certeza disso?

Mohammed : Não preciso de ter. Vê-se. Alguns dirigentes de associações que não têm nada, absolutamente nada depois de algum tempo estão em condições completamente diferentes…se é que me entendes

Rita: e diz-me uma coisa…alguma coisa mudou desde que houve alguma visibilidade?

Mohammed: Não. Esta pior ainda. O estado das estradas é horrível. Mas não há quase estradas, não há electricidade. Há uma pequena percentagem que é dada à população mas não se vê mudança nenhuma..

Rita: O que é feito com esse dinheiro?

Mohammed : Ninguém sabe. È desviado certamente mas não sabemos por quem..

Rita: Estas a dizer que absolutamente nada foi feito desde 2003? 

Mohammed: Foram feitas coisas certamente mas não se vêm!  As pessoas estão ainda mais miseráveis do que antes. Não há infra-estruturas, estradas..

Rita: O que pensas da abertura recente do “Observatoire de la Santé pour les activités d’AREVA au Niger” criado sob pressão da ONG internacional SHERPA?

Mohammed: Acho que foi criado para acalmar as pessoas. De qualquer das maneiras as pessoas que aparecerem doentes…quem as vai tratar? Quem as vai indemnizar? Essas doenças nem têm solução a maior parte das vezes. AREVA não quer saber das pessoas aqui, estão a gozar com as pessoas. Para eles a população daqui são como animais que não entendem nada…

NOTA: A entidade da pessoa entrevistada foi preservada, apenas o nome foi modificado. 


 [1] Afrique, Atlas d’un environnement en mutation, 2008, p. 263 in https://www.unep.org/dewa/Africa/AfricaAtlas/PDF/fr/Africa_Atlas_Full_fr.pdf

[2] Relatório de Desenvolvimento Humano de 2011 do PNUD (https://hdr.undp.org/en/reports/

[3] Le Monde 5/8/2007 : https://www.lemonde.fr/web/recherche_breve/1,13-0,37-1000061,0.html

[4] Idem (min 3:30)

[5] Idem (min 3: 40)

[6] Chareyron B., Note CRIIRAD N°08-02 «AREVA : Du discours à la réalité. L’exemple des mines d’uranium au Niger», 30 janvier 2008.

[7] Filme documental realizado pelo jornalista Michel Despratx para a emissão «Lundi Investigation – 90 minutes » do Canal +, https://www.youtube.com/watch?v=lutQSd11MBU&feature=related.

Esta informação aparece também no Rapports d’enquête SHERPA et CRIIRAD sur l’impact de l’exploitation de l’uranium par des filiales du groupe Cogéma-AREVA au Niger » – avril 2005, pag.5)

[8] Left in The Dust Greepeace Internacional- Relatorio 2009, pag. 26: https://www.greenpeace.org/international/Global/international/publications/nuclear/2010/LeftinthedustF.pdf

[9] Entrevista de Almoustapha Alhacen, président d’Aghir in’Man à Greenpeace Arlit, Niger, Relatório 2009.

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