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Cinemas Pós-Coloniais e Periféricos

Apresentação – VOL. II

Um novo mundo contemporâneo emergiu, trazendo consigo novas dinâmicas de produção de subjetividade, reconfigurando e tensionando as tradicionais formas de perpetuação estético-narrativa dos grupos que detém o capital cultural e o posto narrativo. 

Ao redor do mundo, surge uma cena artística independente e/ou periférica que lança luz sobre artistas produtores de imagens fora dos grandes centros urbanos, à margem das grandes metrópoles culturais e de origens sociais diversas. Esse movimento não apenas provocou intervenções no sistema de produção, circulação e distribuição de imagens, mas deu a ver um gesto político de desidentificação e, a partir daí, a experimentação de novas identidades, sexualidades e alteridades. 

Na Europa Ocidental ou nos Estados Unidos da América do Norte, esse movimento tem sido acompanhado pelo surgimento de vozes até aqui silenciadas de antigos grupos minoritários, geralmente imigrantes provenientes de ex-colônias, como também dos movimentos sociais cuja potência artística foi capaz de afirmar novas identidades, novas sensibilidades e novos afetos numa onda crescente de questionamento dos moldes tradicionais imperiais e globais da vida contemporânea. 

De forma geral, este livro que aqui se apresenta procura refletir e discutir, de forma sustentada, quem são os jovens artistas e grupos periféricos que estão surgindo no cinema contemporâneo, bem como nas artes visuais, e que estão impondo uma nova agenda para a produção de imagens em geral, mostrando capacidade de discutir as novas formas de esquecimento no que diz respeito aos novos modos de exclusão e de re-colonização. Apresentamos, sobretudo, a possibilidade de conhecer imagens, dos cinemas e das artes visuais, que invertem o olhar e dão origem a configurações outras do visível. 

A concretização deste livro foi possível graças ao apoio do projeto “À Margem do cinema português: estudo sobre cinema afrodescendente produzido em Portugal”. Com apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa), este projeto enquadrou-se nas iniciativas do Grupo de investigação “Correntes artísticas e movimentos intelectuais”, baseado no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) da Universidade de Coimbra, com atividades programadas ao longo do ano de 2019. Tal grupo tem reconhecida atuação no campo dos estudos fílmicos, nomeadamente no campo da história e da crítica do cinema, onde o presente projeto se inseriu e onde alguns investigadores que colaboram deste livro e daquele projeto estão afiliados como colaboradores. 

Dessa forma, como investigadores da história do cinema, entendemos a necessidade de estudos sobre o que está a ser produzido numa certa margem do cinema contemporâneo, questionando inclusive a própria ideia de produção periférica ou marginal, uma vez que grande parte dos filmes que aqui trazemos consolida, em torno dos próprios filmes e de seus realizadores, novos “centros” de ativação cultural, deslocando as velhas (novas) relações entre centro-periferia. 

O projeto de investigação financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian que dá origem também a este livro teve como interesse central a inclusão historiográfica no cinema português dos filmes produzidos por portugueses afrodescendentes nos últimos anos, nomeadamente a partir do ano 2000 e a reflexão cultural sobre a existência do cinema negro português. Pensar uma produção periférica num contexto fortemente institucionalizado como é o campo cinematográfico português produz per se reverberações políticas no campo do cinema. 

Entendemos que a disputa pela inclusão historiográfica de filmes feitos por realizadores afrodescendentes, indígenas, de grupos minoritários, bem como ativistas faz parte de uma ampla luta histórica e social pela visibilidade do racismo estrutural no campo cultural e político (mas não só) e pela inclusão identitária de grupos étnicos minoritários, tão importantes na constituição dos tecido sociais de sociedades pós-coloniais e decoloniais, como vemos surgir ao redor de todo o mundo globalizado. 

Os textos aqui reunidos são provenientes do IX Encontro Anual da AIM, promovido pela Associação de Investigadores de Imagem em Movimento, associação sedeada em Portugal, mas cujo encontro decorreu na Universidade de Santiago de Compostela, em Espanha. Mais concretamente, os textos aqui reunidos foram apresentados nas sessões do grupo de trabalho “Cinemas Pós-Coloniais e Periféricos”, grupo criado em 2018 com coordenado de Michelle Sales (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil), Paulo Cunha (Universidade da Beira Interior, Portugal), e Liliane Leroux (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil). 

Infelizmente, por diversos motivos, não foi possível publicar todos os trabalhos então apresentados. Também para se esclarecer que os interesses desse grupo são mais amplos que os assuntos tratados neste volume, importa identificar sumariamente os restantes trabalhos apresentados em Santiago de Compostela: Luiz Daminello (Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, Portugal) apresentou uma comunicação intitulada “A realização de ‘filmes de Improvisação’ com os povos da floresta”; Liliane Leroux (UERJ, Brasil) apresentou “Os cinemas das periferias como ‘confrontação’”; Maria Bogado (UFRJ, Brasil) participou com “Interpelação do olhar a partir da (re)montagem dos arquivos no cinema brasileiro contemporâneo”; Maíra Zenun (Universidade Federal de Goiás, Brasil) apresentou “Fluxos migratórios e fronteiras inventadas – o caso FESPACO”; Paulo Cunha (UBI, Portugal) apresentou “Actos de Contrição: Adeus, até ao meu regresso (1974) e Acto dos Feitos da Guiné (1980)”; e Mariana Souto (Universidade de São Paulo, Brasil) participou com “Constelações fílmicas: fantasmagorias sociais no cinema ibero-americano”.

Como é notório, o campo de estudos deste grupo, que se tem consolidado no profícuo diálogo transatlântico proporcionado pelos sucessivos encontros anuais da AIM e da SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, é variado em termos de referenciais teóricos e de abordagens metodológicas, transitando entre a História, Geografia, Estudos Literários, Antropologia, Sociologia, História da Arte, entre outros. 

Nos últimos anos, este grupo de trabalho abriu caminho para que o debate tomasse o rumo de análises comparativas conjuntas entre os cinemas africanos e os cinemas periféricos urbanos de países ditos mais, ou menos, desenvolvidos, despontando com força e recorrência a presença das “periferias e margens” como a categoria analítica que nos reunia e que deveria ser assumida para além dos países de língua portuguesa, como inicialmente esteve proposto. Baseados na sistematização dos debates, apresentamos, na seleção de textos aqui presentes, uma abordagem diversa e variada do que temos produzido e discutido em termos de investigação. Nossa proposta tem foco central a ampliação do escopo fílmico, avançando na direção que se apresentou como a mais fundamental: a da imagem como representação e (mais recentemente) como autoapresentação no cinema realizado nas margens e periferias do mundo.

Nosso interesse é também sermos capazes de gerar um debate acerca da assimétrica relação artístico-cultural entre os eixos norte-sul, centro-periferias. Interessando-se pela produção marginal e periférica das cidades, pela produção de artistas da diáspora, pela produção coletiva de grupos minoritários, coletivos ou movimentos sociais. Interessa-nos a revisão crítica das formas e linguagens de imagens e representações hegemônicas, eurocêntricas e os movimentos sociais, culturais e artísticos que potencializam o surgimento de artistas marginais ao mercado cinematográfico e da arte, impondo novas imagens e novas representações.

Queremos aproximar imagens capazes de dilatar nosso olhar para novos modos de produção da alteridade, novos esquemas de produção e distribuição cinematográfica à margem da grande indústria, novos padrões de autoria e circulação de filmes coletivos, feitos por grupos ativistas, coletivos de mulheres, associações e movimentos sociais “minoritários” interessados em novas formas de produção de subjetividade e de afetos. 

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Essencialismo estratégico

A luta anti-racista, o movimento feminista, a mobilização pela preservação da vida de comunidades indígenas não são fenômenos que repercutem de acordo com as modulações ou interesses do cinema mundial contemporâneo, bem como o contrário. Começamos com essa afirmação, observando de relance o sumário do Volume 2 desta coleção marcado pelo cinema negro, pelo cinema feminista e pelo cinema indígena. 

Tais lutas históricas, através de novas ondas de mobilizações mundiais impulsionadas pelo uso da tecnologia e das redes sociais, têm conseguido disputar o imaginário político em novas configurações ou novos agenciamentos de imagem e despertam/ ativam novos processos de subjetivação, alterando, nas últimas décadas a agenda política das esquerdas e, consequentemente, fazendo visível novas formas de produção de cultura e, por isso, de cinema. 

Tem sido uma acusação apressada a ideia de que tais movimentos sociais fragmentam a sociedade. Temos assistido, ao longo de 2019 no Brasil (mas não só), o fortalecimento deste discurso e a intensificação de polarizações políticas ao redor do mundo, numa onda global de criminalização do “identitarismo de esquerda”, característica que supostamente serve para classificar tais movimentos sociais. É preciso, antes de falar dos cinemas que aqui nos envolvem, apontar de onde partimos e por que reunimos os textos que aqui estão. 

Dessa forma, queremos pensar no quanto as contradições históricas inerentes ao colonialismo não enfraqueceram a agenda ética e moral que veio a reboque da colonização, trazida pela religião católica, marcando o continente latino-americano com a hegemonia de uma moral conservadora ligada a uma agenda de costumes judaico-cristã – até então inexistente no continente latino-americano. Na própria gênese do colonialismo, a primeira fratura social identitária: o colono branco cristão e os “outros”. 

O componente racial da colonização é estruturante tanto quanto a religião na intensificação desta fratura que compõe o cerne do desejo colonialista. Uma vez que as pessoas escravizadas que chegavam ao Brasil ou que aqui já estavam eram visivelmente marcadas pela diferença da cor da pele e, ainda que o processo de catequização tenha “disfarçado de brancos” inúmeras populações indígenas e negras, a questão racial manteve-se sempre como parâmetro de distinção social ao longo dos séculos. Evidentemente, as consequências econômicas produzidas pelo modelo extractivista colonialista foram péssimas para as populações racializadas e ótimas para as elites financeiras, não apenas no Brasil, mas nos países colonizados na África e no restante da América Latina. 

Herdeiras diretas das benesses desse modelo colonial, e por isso da cultura europeia branca cristo-cêntrica, as elites financeiras latino-americanas reclamam para si um lugar de privilégio e abundância tanto quanto um europeu recém-chegado à América no século XV ou XVI. O ano de 2019 marcou, com duras feridas, a forma com a qual nossas elites esforçaram-se por resguardar “as tradições” que constituíram nossa sociedade e também uma certa “identidade nacional”, basta observar o discurso que motivou o Golpe de Estado na Bolívia com a destituição do presidente Evo Morales, e a polarização “identitária” que marcou a luta de classes no Brasil e que esteve tão presente na produção cinematográfica brasileira dos últimos anos, produção esta que reinveste no desejo de politização do seu campo. 

Evidentemente, nunca houve a enunciação desta política identitária em larga escala do colonialismo, supostamente intitulada como universal, uma vez que a própria estrutura do colonialismo se mantinha mais através daquilo que escondia do daquilo que revelava. 

A afirmação de outros mundos possíveis fora das dinâmicas criadas pelo modelo colonialista que gerou a sociedade patriarcal capitalista tem repercutido, de formas diferentes ao redor de todo o mundo, impulsionando e fortalecendo o surgimento de movimentos como os cinemas negros, indígenas e feministas, questão transversal a todo este volume II. 

II

No primeiro capítulo, Michelle Sales discorre sobre a produção audiovisual de cineastas negras no Brasil e em Portugal a partir de referenciais do feminismo interseccional, evidenciando as questões raciais e racismo e de gênero que permeiam suas temáticas. A partir do que vem sendo apontado como a quarta onda do feminismo, desponta o cinema negro feminino que a autora coloca como foco de sua análise.

Taama taama ani N'Fa Douwa, Vanessa Fernandes 2011Taama taama ani N’Fa Douwa, Vanessa Fernandes 2011

Retornando ao debate sobre cinema e poder, Ana Cristina Pereira coloca em perspectiva no segundo capítulo a trajetória e as obras das cineastas Teodora Martins e Vanessa Fernandes. Teodora Martins é descendente de cabo-verdianos, nascida em São Tomé e Príncipe e vive em Moçambique. Vanessa Fernandes nasceu na Guiné Bissau, cresceu na França e em Macau e vive em Portugal. O texto propõe uma análise de carácter crítico discursivo que, nas palavras da autora, “procura entretecer uma leitura das obras, com declarações das autoras, e ainda com aspetos da história e da sociedade por forma a construir um discurso sobre o(s) discurso(s)”. As relações entre as trajetórias e obras dessas duas cineastas são costuradas a partir da vida em trânsito, da vida na diáspora, do colonialismo, do racismo e do patriarcado.

“O olhar tem sido e permanece, globalmente, um lugar de resistência para o povo negro colonizado”. Abrindo com essa citação de bell hooks, Clementino Junior nos leva a percorrer os oito encontros realizados em 2018 no Cineclube Atlântico Negro. O curso com o título X CAN – Reflexões sobre o Cinema Negro, ofereceu um panorama sobre a produção cinematográfica protagonizada por cineastas e atores e atrizes pretos e pretas ao longo do século XX. Idealizado como comemoração dos dez anos do cineclube, o curso inaugurou um novo formato nas sessões cineclubistas. Além de filmes da diáspora africana, dirigidos por Melvin van Peebles, Osmane Sembène, Safi Faye e Moustapha Alassane, Abderrahmane Sissako, Zozimo Bulbul, Djibril Diop Mambéty, os encontros ressaltaram as trajetórias de Ruth de Souza, Léa Garcia, Chica Xavier e Zezé Motta, atrizes pretas marcantes do cinema nacional, aclamadas como “As Damas Negras”. Ao longo do artigo, vamos compreendendo o jogo de palavras do título do artigo. Com Clementino Junior, podemos perceber o digital também como identidade buscada por cineastas afrodescendentes das Américas e Caribe que, nas palavras do autor, “procuram, através de uma arte colonizada e com regras narrativas construídas ao longo de pouco mais de um século, narrar seus apagamentos e silenciamentos”.

No quarto capítulo, Catarina Andrade propõe pensar o cinema de Abdellatif Kechiche a partir da perspectiva de identidade como processo, em Stuart Hall, assim como da ideia de nação desdobrada pelo sociólogo Pap Ndiayede. Partindo do cenário contemporâneo, que desponta cinematografia francesa, marcado por novas narrativas, o texto percebe o filme O Segredo do Grão/O Segredo de um Cuscuz (2007), de Kechiche, operando como discurso pós-colonial e não eurocêntrico. Estando, segundo a autora, inserido nesse movimento “que renova a tradição cinematográfica estabelecida pela Nouvelle Vague francesa”, o texto de Catarina Andrade analisa os caminhos pelos quais o filme de Kechiche nos leva aos “limites entre a representação e sua impossibilidade”.

O capítulo seguinte, escrito por Rodrigo Lacerda, se lança na tarefa de realizar um “processo duplo e simétrico de descolonização: compreender a história dos povos indígenas segundo a sua metafísica e modo de conhecer o mundo; e particularizar (ou provincializar) a historicidade ocidental (historicismo ou historiografia). pensar a história segundo a perspetiva dos povos indígenas, não é simplesmente uma perspetiva diferente de uma história universal, mas é antes construída a partir de uma metafísica e, portanto, historicidade distinta.” 

Para isso, analisa três cinematografias indígenas que, para além da tendencia mais conhecida de focar em aspectos da cultura, do ethos ameríndio ou do registro, “se centram na história dos povos e comunidades, revelando contranarrativas, mas também outras historicidades produzidas por cosmologias, ontologias e epistemologias distintas da modernidade.”

Apontando e criticando a ausência de mulheres cineastas participando do manifesto Hacia un Tercer Cine, elaborado em 1969 pelos cineastas argentinos Octavio Getino e Fernando Solanas, Maira Tristão denuncia a invisibilidade das cineastas mulheres latino-americanas e ressalta a urgência da representatividade feminina através de um Manifesto do Terceiro Cinema Feminista. Para repensar o Terceiro Cinema a partir da consideração e afirmação de um female gaze, a autora elege produções de uma cineasta brasileira e outra mexicana, e destaca, a partir dessas obras, elementos estéticos e narrativos importantes para pensar tanto as origens de um cinema feminista na América Latina, quanto o fortalecimento da representatividade desse olhar feminino no campo cinematográfico. Como desdobramentos dessa reflexão temos o exercício de repensar o Terceiro Cinema e de pensar um pós-Terceiro Cinema, que seria definido por: “obras que se recusam a uma universalização de “feminilidade” ou até mesmo de “feminino”, sua preocupação é defender formas específicas de resistência e a necessidade de “localização” das histórias das mulheres frente às diversas formas de repressão. Para fortalecerem as identidades marcadas em seus próprios territórios”.

Branco sai, preto fica, Adirley Queirós 2014Branco sai, preto fica, Adirley Queirós 2014

No capítulo seguinte, Arthur Lins nos conduz pelas “paisagens sonoras” de Ceilandia, preferia de Brasília, presentes no filme de Adirley Queirós, Branco Sai, Preto Fica (2014).  A partir do conceito de “comum”, o artigo percebe os sons como “fio condutor que reativa memórias, reaviva experiências passadas e prepara o terreno para uma ação subversiva por vir.”  O elo entre os sons – a música eletrônica, o rap, os sons de rua, os relatos orais, as variações de voz  -, que, nas palavras do autor “ abraça a complexidade política e estética que configura a periferia em sua força criadora”, e o tempo por vir é o caminho pelo qual o texto investiga “como a música, em sua ampla capacidade de mover sensações e se disseminar na multidão, pode despertar uma força de criação capaz de subverter a lógica capitalista ao propor uma política pautada no afeto e no bem-estar comum.”

No último capítulo, Sérgio Dias Branco estabelece relações entre processos históricos e políticos coloniais e revolucionários em continente africano e aspectos da biografia e filmografia do cineasta “Ousmane Sembène”. Destacando não apenas os aspectos  estéticos e narrativos dos filmes, mas também a importância da recusa do cineasta em manter a forma ocidental com a qual seu nome era inicialmente apresentado – com “Sembène” à frente – , e o fato de seus filmes, a partir de Mandabi (1968), serem falados em wolof (um dialecto local), além de outros fatos que permeiam sua vida, o artigo desenvolve seu ponto chave, qual seja, o de apontar as muitas maneiras pela qual o cinema de Sembène dá vou à África revolucionária.

Acreditamos que a variedade de temas e abordagens reunidos neste volume, brevemente apresentadas acima, demonstre que estamos interessados na busca e na experimentação de possibilidades, assim como no cruzamento de perspectivas. É isso o que propomos ao leitor, que atravesse os textos a partir de seu olhar, abrindo e trazendo mais elementos ao debate. Agradecemos aos autores pelo diálogo firmado ao longo dos 4 dias de encontro presencial e por confiarem seus artigos para publicação neste volume. Desejamos uma excelente leitura e, desde já , convidamos para que sigam acompanhando os desdobramentos de nossas pesquisas e do debate em torno do tema que nos agrega – cinemas pós-coloniais e periféricos – em nosso 3º volume a ser publicado no final de 2020.

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Mantendo o compromisso de lançar o volume 2 da nossa coletânea na data que teria sido o primeiro dia do X Encontro da AIM (Associação de Investigadores da Imagem em Movimento) em Setúbal , Portugal, convidamos para live de lançamento. Cada um terá que providenciar sua taça de vinho e comidinhas, infelizmente, mas vamos nos ver mesmo de longe, ouvir o som de nossas vozes que, mais do que nunca, precisam fazer ressoar outras historias e narrativas, fortalecendo a construção de refúgios, de novas formas de recuperação deste mundo, de novas (ou ancestrais) formas de se relacionar, de viver e de morrer bem. Esperamos por vocês.
Organização e apresentação: Michelle Sales, Paulo Cunha, Liliane Leroux. Autores: Catarina Andrade, Clementino Junior, Ana Cristina Pereira, Rodrigo Lacerda, Maira Tristão, Arthur Lins, Sérgio Dias Branco, Michelle Sales
A versão digital e livre do livro será disponibilizada no BUALA.
A concretização deste livro foi possível graças ao apoio do projeto “À Margem do cinema português: estudo sobre cinema afrodescendente produzido em Portugal”, coordenado pela pesquisadora Michelle Sales (UFRJ/CEIS20). Com apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa), este projeto enquadrou-se nas iniciativas do Grupo de investigação “Correntes artísticas e movimentos intelectuais”, baseado no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) da Universidade de Coimbra, com atividades programadas ao longo do ano de 2019. Tal grupo tem reconhecida atuação no campo dos estudos fílmicos, nomeadamente no campo da história e da crítica do cinema, onde o presente projeto se inseriu e onde alguns investigadores que colaboram deste livro e daquele projeto estão afiliados como colaboradores.
O projeto de investigação financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian que dá origem também a este livro teve como interesse central a inclusão historiográfica no cinema português dos filmes produzidos por portugueses afrodescendentes nos últimos anos, nomeadamente a partir do ano 2000 e a reflexão cultural sobre a existência do cinema negro português.

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