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Our Madness, de João Viana, em sala

Lucy está internada num hospício em Moçambique. Sonha com o seu filho Zacaria e o marido Pak, soldado numa zona de guerra ao norte do país. 

Lucy toca um instrumento musical curioso: a própria cama. Aquela virtuosidade musical atrai a atenção das enfermeiras. Um dia a música passa num programa da Rádio Moçambique e Rosa Mário, pastora evangélica, vai ao hospital para conhecer a intérprete da canção. Mas Lucy interpreta a visita da pastora como uma bela oportunidade para dar de  frosques, com a cama e tudo.

Um cinema decolonial, é possível?

Our Madness (90’ PT, MZ, FR, QT, GB, 2018): sessões especiais em Lisboa e Porto.

Em cada sessão, o filme Our Madness será precedido pela curta-metragem Tabatô (13’, Guiné-Bissau 2013), ambos do cineasta João Viana.
As intervenções programadas decorrerão após a exibição dos filmes.

Lisboa

6 de dezembro, no Cinema City Alvalade | 19h00
Com​ Beatriz Gomes Dias​​ e ​Luís Carlos Patraquim​​.

7 de dezembro, no Medeia Monumental | 21h45 Com ​Pedro Pombo​​ e ​Sérgio Taborda​​.

8 de dezembro, no Medeia Monumental | 21h45
Com ​Ana Maria Martinho​​, ​Eduardo Costa Dias​​, ​Carla Henriques ​​e ​Maria do Carmo Piçarra​​.

12 de dezembro, no Medeia Monumental | 21h45
Com ​Bruno Sena Martins​​, ​Matheus Serva Pereira​​ e ​Sílvia Correia​​.

Porto

8 de dezembro, no Medeia Teatro Municipal do Campo Alegre | 18h30 Com ​Pedro Ribeiro​​ e ​Saguenail​​.

9 de dezembro, no Medeia Teatro Municipal do Campo Alegre | 18h30 Com ​Nelson Araújo​​ e ​José Maia​​.

Notas biográficas:

6/12 – Lisboa, Cinema City Alvalade

Beatriz Gomes Dias​​ (Dakar, 1971), portuguesa. Licenciada em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e aluna do mestrado de Comunicação de Ciência na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Professora de Biologia no ensino básico e secundário em Lisboa. Ativista antirracista, é membro da SOS Racismo e fundadora e dirigente da Djass Associação de Afrodescendentes.

Luís Carlos Patraquim​​ é jornalista, redactor de comunicação de empresa, escritor e poeta. Nascido em Lourenço Marques (hoje Maputo), Moçambique, em 1953, foi colaborador do jornal “A Voz de Moçambique”. Refugiado na Suécia em 1973, regressa a Moçambique em Janeiro de 1975, e integra os quadros do jornal “A Tribuna”. Membro do núcleo fundador da AIM (Agência de Informação de Moçambique) e do Instituto Nacional de Cinema (INC) onde se mantém, de 1977 a 1986, como roteirista/argumentista e redactor principal do jornal cinematográfico ​Kuxa Kanema.​ Criador e coordenador da “Gazeta de Artes e Letras” (1984/86) da revista “Tempo”. Residente em Portugal desde 1986, colaborou na imprensa moçambicana e portuguesa, em roteiros para cinema e escrevendo para teatro. Coordenador redactorial da revista “Cadernos de Design”, do Centro Português de Design. Foi consultor para a “Lusofonia” do programa “Acontece”, de Carlos Pinto Coelho, e é comentador na RDP-África. As suas publicações mais recentes incluem ​Manual para Incendiários e Outras Crónicas​ (2012) e ​O cão na margem​ (2017).

7/12 – Lisboa, Medeia Monumental

Pedro Pombo​​ é docente de antropologia na Índia desde 2015. Doutorado em Antropologia pelo ISCTE– Instituto Universitário de Lisboa, com uma exploração etnográfica sobre espaço e cartografia, pertença, história local e arquivos pessoais no sul de Moçambique. Foi co-organizador do AfrikPlay – Filmes à Conversa, ciclos de seminários apresentando documentários sobre a África contemporânea, no ISCTE-IUL, juntamente com Marta Patrício e João Dias. Antes da antropologia, formou-se em Artes Decorativas e Design e desenvolveu pesquisa sobre arquitectura e urbanismo Indo-Portugueses. Desenvolveu pesquisa etnográfica de longa duração no sul de Moçambique e na Índia. Estas experiências nas duas margens do Oceano Índico sustentam a sua investigação actual sobre as múltiplas dimensões da circulação oceânica, através de um diálogo interdisciplinar entre cartografia e arquivo, etnografia, memória e cultura material para mapear trânsitos afro-asiáticos. Mais recentemente tem desenvolvido um projecto sobre as várias presenças de África na Índia.

Sérgio Taborda​​ nasceu em 1958, em Vila Nova de Poiares, Coimbra. Vive e trabalha em Lisboa e Berlim. No âmbito do seu pós-doutoramento, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, foi artista/investigador residente no Arsenal-Institut for film and Video-Art, em Berlim. A partir de investigações realizadas nos arquivos internacionais de filme e vídeo onde esteve em residência, concebeu ciclos de filmes e vídeos experimentais de artistas que usam o filme. Expõe individualmente desde 1985, concentrando-se a partir de 1992 em instalações para espaços específicos em conjunto com o músico/compositor Luís Bragança Gil. Deste trabalho a dois resultaram, em 1997 e 1998, as instalações audio e video, ​Imersão​ e ​Travelling​. A partir de 2002, apresentou individualmente trabalhos em vídeo que incorporam um tempo e uma duração irreversível de um acontecimento, projectados em salas de cinema: ​imagem tempo,​ ​a cabina do panoramista​, S​ canning​ e ​pano e nuvem​. No contexto da ​Conferência Internacional sobre Paisagem e Cinema, o​ rganizada pelo Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras (CEC), e em colaboração com Susana Mouzinho, concebeu a sessão-conferência ​Paisagem enquanto acontecimento. Encontros com os filmes de Larry Gottheim e vídeos de Sérgio Taborda,​ que teve lugar na Cinemateca Portuguesa, a 5 de Dezembro de 2018.

8/12, Lisboa, Medeia Monumental

Ana Maria Martinho​​ (CHAM / NOVA FCSH) é Professora de Literaturas e Culturas Africanas. Docente na Universidade Nova de Lisboa – FCSH e investigadora integrada e subdiretora do Centro de Investigação CHAM. Como docente ou conferencista convidada, tem colaborado com instituições de ensino superior, nomeadamente a Universidade da Califórnia, Berkeley; City University of New York (CUNY) – The Graduate Center; Universidade Agostinho Neto e ISCED, Luanda; ISCEDs e Universidades do Lubango e do Huambo; Universidade de Cabo Verde; Sorbonne Nouvelle; Oxford University; SOAS. Publicou até hoje cerca de 70 títulos, entre obras individuais, coletivas, artigos científicos e de divulgação geral e faz parte dos Comités editoriais de 4 revistas académicas, 1 nacional e 3 estrangeiras.

Carla Henriques​​ nasceu em Moçambique, vive em Portugal. É jornalista. Trabalha na RTP- RDP África há mais de 20 anos. Realizou e produziu, ao longo de seis anos, o programa sobre cinema dos países de língua portuguesa – Grande Plano, emitido na RDP África. Colaborou com o programa de cinema – Cinemax, emitido na Antena 1 e Antena 3, e com a revista de Arte Contemporânea – Artecapital. Tem sido júri e curadora convidada de festivais de cinema nos países de língua portuguesa.

Eduardo Costa Dias​​ é doutorado em Antropologia Social, professor jubilado do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, investigador do Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa, membro do comité científico da IULM -​ Università di Lingue e Scienze della Comunicazione de Milão​. Tem desenvolvido trabalhos sobre epistemologia das ciências sociais, desigualdades sociais e identidades sociais e, no contexto africano, sobre a questão fundiária, as relações entre os dignitários muçulmanos e o Estado, a transmissão de saberes nas sociedades muçulmanas africanas, a natureza das forças armadas em África e a “geopolítica” dos tráficos e rebeliões na região do Saara – Sahel e do Noroeste africano.

Maria do Carmo Piçarra​​ é doutorada, mestre e licenciada em Ciências da Comunicação pela FCSH-UNL, além de ter feito investigação pós-doutoral (2015-2018) em Ciências da Comunicação no CECS-U. Minho e no CFAC-U. Reading. É professora na Universidade Autónoma, foi adjunta da presidência do Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimédia (1998-1999), fundadora e co-editora (2012-2018) da ANIKI – Revista Portuguesa da Imagem em Movimento e é crítica e programadora de cinema. Foi bolseira da FCT (doutoramento e pós-doutoramento) e do Serviço de Belas Artes da Gulbenkian sendo bolseira da Fundação Oriente em 2018-19. Publicou, entre outros títulos e artigos, “​Azuis ultramarinos. Propaganda colonial e censura no cinema do Estado Novo​” (2015), “​Salazar vai ao cinema I e II​” (2006, 2011), e coordenou, com Jorge António, a trilogia Angola, “​o nascimento de uma nação​” (2013, 2014, 2015) e, com Teresa Castro, “​(Re)Imagining African Independence. Film, Visual Arts and the Fall of the Portuguese Empire​” (2017).

8/12, Porto, Medeia Teatro Municipal do Campo Alegre

Pedro Ribeiro ​​é poeta e advogado. Nasceu em 1967 em Mafamude, Vila Nova de Gaia, onde vive e trabalha. Frequentou o Liceu de Gaia e a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou e onde posteriormente frequentou as pós-graduações em Direito da Medicina e Direito do Ordenamento, do Urbanismo e do Ambiente. Exerce advocacia desde 1994. Foi Jurista na AICCOPN (Associação de Industriais da Construção Civil e Obras Públicas do Norte) e foi Diretor da sua Delegação de Braga. Fez Curso de Formação de Formadores no CICCOPN (2000) e tem orientado sessões de formação em diversas áreas do Direito. Foi Docente convidado no ISPGAYA (Instituto Superior Politécnico de Gaya). Ainda enquanto estudante foi jornalista n’O Primeiro de Janeiro.​ Foi Diretor da Universidade Douro Sénior do Porto. Sócio e Gerente da Miolo – Ideias, Formação e Culturas, Lda. Promotor do projeto Lugar das Devesas e Presidente da Direção da Chãos de Ferro – Associação Cultural. Frequentou formações de escrita para teatro no Dramat/TNSJ com Jorge Listopad, Luisa Costa Gomes, Raimondo Cortese e Lutz Hubner. Orienta cursos de Escrita Criativa. Foi galardoado com o Prémio Nacional de Poesia Ferreira de Castro, Menção Honrosa Concurso de Contos do Jornal de Notícias, Menção Honrosa Prémio de Literatura da Faculdade de Letras do Porto – Óscar Lopes – Poesia (com recomendação de publicação), e tem poesia e textos publicados em revistas e colectâneas. Participação no filme “A Piscina”, de João Viana.

Saguenail ​​(Serge Abramovici) nasceu em 1955 em França. Foi professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e na ESAP, nas disciplinas de Língua e Cultura francesas, Literatura e Cinema. Autor de uma vasta bibliografia e filmografia, fundou a revista de cinema «A Grande Ilusão» e é membro da associação «Os filhos de Lumière». Programador e animador do ciclo anual «O sabor do Cinema», no Museu de Serralves, é também organizador e animador, na FLUP, de ciclos de cinema francófono (CinÉmotion) e de um círculo de leitores (déLire). Vive e trabalha com Regina Guimarães desde 1976.

9/12, Porto, Medeia Teatro Municipal do Campo Alegre

Nelson Araújo​​ é diretor da licenciatura de Cinema e Audiovisual na Escola Superior Artística do Porto, local onde leciona as unidades curriculares: História do Cinema Português, História do Cinema e Metodologias da Realização. É investigador integrado no Centro de Estudos Arnaldo Araújo, vice-presidente da Associação dos Investigadores da Imagem em Movimento e integra a comissão organizadora do Encontro Internacional ​O Cinema e as outras Artes.

José Maia ​​(curador) / Manuel Santos Maia (artista) nasceu em Nampula, Moçambique. Vive e trabalha no Porto. Licenciado em Artes plásticas – pintura pela Faculdade de Belas Artes da U.Porto. Expõe regularmente desde 1999. Organizou e co-organizou exposições individuais e coletivas em diversas cidades do país. Desde 1998 tem organizado debates, conversas e conferências com criadores de diferentes áreas artísticas, curadores, artistas-comissários, críticos e historiadores.

12/12, Lisboa, Medeia Monumental

Bruno Sena Martins​​ é Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES). Actualmente, desempenha no CES as funções de Vice-presidente Conselho Científico e de Co-coordenador no Programa de extensão académica “O Ces vai à Escola.” É ainda Co-coordenador do Programa de Doutoramento “Human Rights in Contemporary Societies.” É docente no Programa de Doutoramento “Pós-colonialismos e cidadania global.” É licenciado em antropologia e doutorado em sociologia. Os seus temas de interesse preferenciais são o corpo, a deficiência, os direitos humanos e o colonialismo. No âmbito da sua pesquisa realizou trabalho de campo em Portugal, na Índia e em Moçambique.

Matheus Serva Pereira ​​é Doutor em História Social da África, pela UNICAMP, com financiamento da FAPESP. Na pesquisa de doutoramento os estudou os chamados batuques no sul de Moçambique, entre as décadas de 1890 e 1940, como objeto e como janela privilegiada para analisar o mundo das experiências dos classificados pelo linguajar colonial português como indígenas. Atualmente, é pós-doutorando no departamento de História da Unicamp e Investigador Visitante no ICS-UL, com financiamento da FAPESP. Desenvolve pesquisas sobre os subúrbios da capital moçambicana, os ritmos musicais urbanos e suas relações com as transformações decorrentes do colonialismo-tardio e do pós-colonialismo. Faz parte da equipe de investigadores do projeto temático desenvolvido no CECULT-UNICAMP, “Entre a escravidão e o fardo da liberdade: os trabalhadores e as formas de exploração do trabalho em perspectiva histórica”, do conselho editorial da revista ​Práticas da História: Journal of theory, historiography and uses of the past​ e é um dos coordenadores do projeto “Moçambique: independência e nação no Repertório de História da África do Arquivo Edgard Leuenroth”.

Silvia Correia​​ é Professora Adjunta de História Contemporânea no Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi investigadora integrada no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa até 2013, especialmente focada na história cultural e política; na história comparada; na cultura e memória, particularmente de guerra; e na história oral. Licenciada em História pela Universidade do Minho (2004) e doutorada pela Universidade Nova de Lisboa com o projeto intitulado “A política da memória da I Guerra Mundial em Portugal, 1918-1933. Entre a experiência e o mito; (2011). Com este trabalho foi galardoada com o Prémio da Fundação Mário Soares e o Prémio Defesa Nacional, Comissão Portuguesa de História Militar (Ministério da Defesa Nacional) (ex aequo). Coordenou, entre 2009 e 2011, a criação do ​Arquivo de História Oral da Confederação Geral de Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (1970-1977)​. No ano de 2012 foi Fulbright Scholar na Brown University. Desenvolveu o projeto de pós-doutoramento, entre a Universidade Nova de Lisboa e a Brown University, dedicado a uma abordagem comparativa dos regimes memoriais da guerra colonial em França (Argélia, 1954-1962) e das guerras coloniais em Portugal (Angola, Moçambique e Guiné, 1961-1974). Atualmente, dedica-se ao estudo das memórias da experiência portuguesa na I Guerra Mundial.

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