Website on global south and decolonial issues.

Mercado, visibilidade e sustentabilidade para a arte contemporânea africana, conversa com Touria El Glaoui, diretora de 1:54

Neste fim de semana, Nova Iorque recebe pelo segundo ano 1:54, a principal feira transnacional para projetos e práticas artísticas africanas ou relacionadas com África. O nome da feira, uma referência aos 54 países que constituem o continente africano, resume um dos seus principais objetivos: dar visibilidade à produção múltipla e diversa do continente junto a uma audiência internacional, promovendo o envolvimento de colecionadores, instituições culturais e audiências mais amplas com a – até muito recentemente negligenciada internacionalmente – cena da arte contemporânea africana.

Concebida como uma plataforma, 1:54 parece exceder o papel usualmente atribuído a uma feira de arte: vender arte. Se questões relativas ao mercado de arte obviamente fazem parte das preocupações da equipe de 1:54, não parecem ser as únicas nem as principais. Numa conversa com Turia El Glaoui, a diretora de 1:54, tivemos a oportunidade de aprender mais sobre as ações da plataforma que também intervém noutros níveis do circuito da arte, tais como educação e formação do artista.

O compromisso da feira com uma programação crítica pode ser vista nesta edição nova-iorquina de 1:54 Forum, um programa notável de comunicações e debates com a curadoria de Koyo Kouoh que acontece paralelamente à feira. A conexão de 1:54 com o continente africano também será vista – literalmente – pelos visitantes desta edição da feira em Transmissions, um projeto especial realizado em parceira com Dak’Art Biennale de l’Art Africain Contemporain, que pretende ser “uma janela aberta para Dakar e uma janela aberta em Dakar para Nova Iorque”, nas palavras de El Glaoui.

As bem sucedidas edições da feira e o privilégio pouco usual conferido ao ponto de vista do artista pela diretora da feira coloca 1:54 entre as mais instigantes iniciativas em arte contemporânea. Nas linhas que seguem, partilhamos a conversa que tivemos com Touria El Glaoui no mês passado em Londres.

***

Como chegou à ideia de 1:54? Sei que o seu pai é artista1

Retrqto de Touria El Glaoui. Foto de Chris Saunders, Courtesy 1 54 Contemporary African Art FairRetrqto de Touria El Glaoui. Foto de Chris Saunders, Courtesy 1 54 Contemporary African Art FairSim, foi um pouco isso, ambas as coisas estão relacionadas. Eu cuidava da parte administrativa relacionada à obra do meu pai, como empréstimos a museus etc. E nós estamos trabalhando agora mesmo em umcatalogue raisonné. Eu mesma estudei seus anos iniciais e onde ele estava em Paris e como visibilidade foi importante em geral. Então ele voltou a Marrocos, e precisou de outros dez anos para voltar ao ponto onde estava em Paris em termos de network, visibilidade etc. No meu trabalho anterior, estava viajando por África para uma empresa americana vendendo diferentes soluções em diferentes países da África e era a mesma coisa. Estava fora por longos períodos de tempo em diferentes cidades africanas e, por causa do meu pai, a minha referência é arte. Não conhecia as cidades que estava visitando, pensava no que podia fazer ao fim de semana e ia visitar ateliês de artistas, algumas galerias etc e ficava extremamente surpreendida com a qualidade e a riqueza incrível que podíamos encontrar em termos de cena artística, mas quando voltava para a Europa ou para a América onde trabalhava, não havia evidência ou rastro do que tinha observado. Então, basicamente tentei imaginar porque artistas africanos não têm a mesma integração no circuito internacional como outros artistas de diferentes regiões da Europa ou dos Estados Unidos, e principalmente, uma das razões era o acesso porque alguns deles estavam baseados no continente. Os colecionadores europeus ou americanos ainda vêem África como um lugar onde talvez não se produz arte contemporânea africana, porque há guerras civis, há problemas de saúde. África é sempre representada pela mídia mais com histórias negativas, do que positivas. Do ponto de vista do colecionador acho que há curiosidade, o colecionador compra se acha que há qualidade, se fica fascinado e é atraído pela arte. Mas se não vê isso, não há maneira de comprar. Acho que a ideia original era realmente reequilibrar o número de artistas que participam destas exposições internacionais e tentar assegurar que instituições como museus poderiam vê-los, que colecionadores poderiam comprá-los. Pensei que para isto acontecer, era necessária uma plataforma na Europa ou nos Estados Unidos.

Zohra Opoku Ficus Carica, 2015 Impressão em têxtil, cortesia de Mariane Ibrahim Gallery Zohra Opoku Ficus Carica, 2015 Impressão em têxtil, cortesia de Mariane Ibrahim Gallery

Pode comentar a ideia de 1:54 como uma plataforma?

Para nós, foi muito importante quando estabelecemos a Feira que alguns temas importantes fossem discutidos, que criássemos uma estrutura para discussões críticas. Então fizemos a feira mas sempre com a ideia de ter um fórum paralelo onde aconteceriam falas de artistas – teríamos painéis de discussão, de uma certa maneira, educaríamos as pessoas em certos tópicos que a feira, comercialmente, não seria capaz de fazer. Então este foi sempre um ângulo que a feira ou a plataforma sempre quis ter. Pensamos que era crucial que isso fosse parte da plataforma. E então, por causa do desequilíbrio comercial – muitas galerias têm o dinheiro para estar lá, mas há muitas iniciativas no continente que estão acontecendo e as pessoas que estão por trás delas não dispõem de meios para vir a Londres e mostrar o que fazem. Também quisemos garantir que eles participassem da feira. São geralmente os pioneiros e o que fazem localmente é tão importante que pensamos que isso tem tanta importância quanto a iniciativa comercial. Também tivemos o que hoje chamamos de “projetos especiais”, onde tentamos todos os anos ter algum projeto especial inscrito na feira, quando sabemos que seu engajamento com as cenas artísticas localmente é crucial para o que está acontecendo nos Camarões ou o que está acontecendo no Congo, então quisemos assegurar que, mesmo num plano internacional, temos este equilíbrio de todas as diferentes iniciativas acontecendo na África que talvez não tenham o nome de galerias ou museus, mas há muitos centros de arte. O que é engraçado porque eles estão fazendo ainda mais do que uma galeria faria porque são os únicos espaços localmente,  então eles são o lugar de exposição, eles são a biblioteca, eles são o centro de conferências, eles têm este caráter multitarefa, multifacetado, e esta forma muito ambivalente a nível local, e a cada ano escolhemos cinco projetos para serem apresentados em Nova Iorque e em Londres. Como continuam a fazer o que eles vêm fazendo? Porque nós estamos em diferentes estágios em cada país e acho que é muito importante darmos acesso a artistas para vender, mas também darmos acesso a pessoas que estão mudando as cenas artísticas localmente e que estão assegurando que haja artistas que são capazes de se tornarem artistas, para depois pertencerem a uma galeria e serem vendidos em 1:54. O ciclo completo precisa funcionar para nós existirmos.

Vista da 1 54 Contemporary African Art Fair 2015, at Pioneer Works © Katrina Sorrentino, Cortesia de 1 54 Contemporary African Art Fair Vista da 1 54 Contemporary African Art Fair 2015, at Pioneer Works © Katrina Sorrentino, Cortesia de 1 54 Contemporary African Art Fair

O que destaca na programação de 1:54 em Nova Iorque este ano?

Em Nova Iorque temos algo muito interessante este ano e acho que é mesmo para este ano porque nós infelizmente acontecemos ao mesmo tempo que a Bienal de Dakar, que é o equivalente da Bienal de Veneza para a África, e estamos fazendo esta parceria com eles na qual teremos uma sala de projeção mostrando a Bienal de Dakar e vice-versa  em Dakar, então estaremos todos conectados. Este é o nosso engajamento com o continente este ano. Haverá uma janela aberta para Dakar e uma janela aberta em Dakar para Nova Iorque, o que achamos que é muito legal.

Nós também temos um projeto muito interessante com Mickalene Thomas, uma artista afro-americana que vai mostrar uma série de seus últimos trabalhos em Nova Iorque.

E o lugar onde fazemos a feira chama-se “Pionneer Works” e, usualmente, quando não estamos fazendo a feira lá é um centro de arte, com programas de residência, artes performáticas etc. Temos tido programas muito instigantes com eles, desde que começamos este ano, têm dois artistas africanos como artistas residentes dentro do seu programa, e eles oferecerão duas residências em arte a cada ano para artistas africanos. Então você pode, durante a feira, ver o trabalho destes artistas do continente em residência que estarão trabalhando durante a feira noutro nível.

Katrina Sorrentino Composições de materiais diversos, Dedon Ahnda cadeiras de lounge e carpetes recicladas de tamanhos vários. Cortesia Dedon, Stephen Burks Man Made e Mariane Ibrahim Gallery Katrina Sorrentino Composições de materiais diversos, Dedon Ahnda cadeiras de lounge e carpetes recicladas de tamanhos vários. Cortesia Dedon, Stephen Burks Man Made e Mariane Ibrahim Gallery

 

Como diretora de uma feira de arte, assiste à visibilidade emergente da arte contemporânea africana através de eventos como a última edição da Bienal de Veneza, onde pudemos ver um grande número de artistas africanos, ou uma exposição como Beauté Congo na Fundação Cartier, reverberar concretamente nas práticas dos colecionadores, ou seja, no que eles estão adquirindo?

Claro, e principalmente quando é algo novo. Acho que para os colecionadores ficarem mais animados para comprar uma peça há um tipo de sistema de reconhecimento quando o artista é parte de uma exposição na Fundação Cartier. A ideia de que alguns dos artistas são muito populares porque eles foram parte da Bienal de Veneza no ano passado realmente ajuda porque em suas biografias pode-se dizer que já esteve na Bienal de Veneza, ou está numa coleção privada. Sei com certeza que alguns artistas deBeauté Congo viram o seu valor aumentar num ano, não diria triplicar em preço mas alguma coisa deste tipo, o que é bastante alto em termos da quantidade de valor que aquele artista levou porque era parte daquela exposição. Por exemplo um novo artista emergente fez o cartaz da exposição, o JP Mika – da nova geração destes artistas congoleses, basicamente é mais jovem e ficou extremamente popular por causa de toda esta visibilidade. Eles fizeram uma coisa maravilhosa, como tinham um grande orçamento para comunicação, a exposição tem visibilidade por anos. Fizeram um grande livro, um pequeno catálogo, com diferentes festas para os artistas etc., para cujas carreiras foi um grande passo, e a mesma coisa para todos os artistas africanos que foram selecionados com Okwui Enwezor na Bienal de Veneza. Por exemplo, que tiveram Nidhal Chameck que é tunisino, eles também tiveram Massinissa Selmani que é argelino. Nunca tinham estado em eventos primordiais como a Bienal de Veneza. Então agora, obviamente, foram contratados por diferentes galerias que querem representá-los, eles estão fazendo muitas feiras por ano, é definitivamente um trampolim para eles.

Dave McKenzie, This ship would set sail, even anchored as it was, 2016  Derrick Adams Please Come Back, 2015, cortesia galeria Anne de Villepoix  Dave McKenzie, This ship would set sail, even anchored as it was, 2016 Derrick Adams Please Come Back, 2015, cortesia galeria Anne de Villepoix

 

Como vê a cena da arte africana contemporânea? Você gostaria de destacar alguma tendência?  

Basicamente, não há uma linha comum. Seria uma vergonha pensar que artistas da África do Norte farão o mesmo que artistas da África Subsaariana, todos têm diferentes influências etc. Gostaria de indicar que nós estamos obviamente apenas tocando a ponta do iceberg, há muito mais artistas que não cobrimos ou mostramos na feira.

É por isso que o título é também muito importante, porque 1 é para o continente mas 54 é realmente para mostrar que estes 54 países estão produzindo diferentes coisas, sendo influenciados às vezes por diferentes religiões, às vezes por seus contextos de vida, às vezes por suas histórias, por seus períodos coloniais. Eles têm todos diferentes multidões de influências. Não gosto de falar sobre tendências, eu não gosto de falar sobre fatores comuns porque eu não acho que sejam verdadeiros. O que eu sei com certeza, no entanto, é que nós temos mostrado muitas pinturas, muita esculturas e muitos fotógrafos porque eu acho que estes são provavelmente os principais meios, os mais fáceis de acessar… e eu acho que agora nós vamos provavelmente ver mais vídeos, e ainda mais fotógrafos também porque é provavelmente mais fácil de produzir. Porque você pode fotografar no continente e então sua galeria produz isso na França. Eu acho que é uma questão de facilidade também, e do que pode ser produzido. Porque mesmo se as galerias representam eles, o acesso é muito difícil. A galeria não vai cinco vezes ao continente para pegar o trabalho. Mas eu honestamente não gosto de pensar em fortes tendências, pois não há nenhuma. Nós temos muitos fotógrafos talentosos muito jovens, é verdade. E as pessoas estão frequentemente nos perguntando se estamos escolhendo-os de propósito ou se há algum tipo de ideia por trás disso. Mas eu acho que há mais fotógrafos porque é uma mídia mais fácil de acessar. Mas eu honestamente não te diria há mais disso do que daquilo. Para nós é a qualidade que conta, então nós apenas selecionamos o que nós pensamos que tem uma boa chance de envolver as audiências que temos em Nova Iorque e em Londres.

Aida Muluneh Sai Mado, The Distant Gaze, 2016 Fotografia digital. cortesia do artista e David Krut Projects; Omar Victor Diop Art Comes First (da série 'Le studio des vanités'), 2016. impressão pigmento, cortesia de MAGNIN-A Aida Muluneh Sai Mado, The Distant Gaze, 2016 Fotografia digital. cortesia do artista e David Krut Projects; Omar Victor Diop Art Comes First (da série ‘Le studio des vanités’), 2016. impressão pigmento, cortesia de MAGNIN-A

As galerias africanas que participam em 1:54 têm aumentado em número? 

Este equilíbrio está chegando exatamente onde queremos que ele esteja, exatamente em torno de 50%-50%. Quando começamos em 2013, eu diria que tínhamos 60%-65% de galerias europeias e americanas e provavelmente 35%-40% de galerias africanas do continente, dependendo se você conta os projetos especiais ou não.

No ano passado em Londres nós tivemos, dos 38 exibidores, eu acho que 17 eram do continente e o resto eram da Europa e dos Estados Unidos. E eu acho que este número está melhorando ainda mais em Nova Iorque onde nós estamos quase nos 50%. E em Londres em 2016, eu acho que nós vamos chegar exatamente a 50%-50%. Nós estamos realmente trabalhando nisso. Nós nos certificamos de que temos a quota certa e escolhemos assegurar que teremos suficientes galerias do continente. Nós tentamos encorajar galerias do continente a se candidatarem. Nós somos muito sensíveis sobre certificar-se de que damos visibilidade à Europa e aos Estados Unidos. Porque na Europa e nos Estados Unidos, eles têm uma tendência a ser mais habituados a apresentar os trabalhos, as galerias têm mais história com feiras de arte. Para galerias do continente, algumas vezes com um ano, dois anos de atividade, é uma coisa bastante nova. Então elas provavelmente ouviram sobre nós no primeiro, vieram ver no segundo ano e agora elas podem realmente participar.

Podemos dizer que 1:54 também desempenha um papel adjuvante para as galerias africanas a se tornarem mais competitivas no mercado internacional de arte? Este é um dos objetivos da plataforma?

Completamente, e temos visto esta tendência acontecer, nós temos galerias no continente que nunca foram convidadas para outras feiras de arte. E depois do segundo, terceiro ano vemo-las a serem convidadas a participarem em outras feiras de arte. Elas ainda participam da nossa, mas elas são agora parte de feiras de arte maiores.

E sobre colecionismo na África? Você tem planos de realizar uma edição de 1:54 lá?

Esta questão é perguntada frequentemente. No primeiro ano eu respondia bastante diferentemente do que eu vou te dizer agora. No primeiro ano eu estava muito otimista e sim, estava em meu futuro próximo: vamos para a África assim que pudermos. Mas agora eu estou mais familiarizada com os problemas das galerias e com quanto elas vendem onde elas estão baseadas e porque é tão importante fazer 1:54 em Londres e em Nova Iorque, e uma das principais razões é que elas não têm colecionadores baseados onde elas atuam, então pra te dar um pouco da quota, elas disseram que elas vendem 30% localmente e 70% fora. Então para elas me seguirem, indo à Nigéria ou a Marrocos, eu teria que justificar que há um mercado para elas, porque é muito custoso participar em uma feira e por agora eu pessoalmente não posso garantir que eles terão o mesmo tipo de compradores em uma cidade na África. Nossa estratégia original foi sempre trazer artistas africanos para a cena internacional, que eu acho que é o que está faltando, e talvez um dia nós estaremos muito felizes em ir, mas eu acho que há muitas outras formas pelas quais podemos ir, o que já estamos tentando fazer, com workshops para galerias, para artistas. Eu acho que há muito no lado educacional que podemos levar para o continente com nosso conhecimento, mais do que uma iniciativa comercial sobre vendas. 1:54 pode ir apenas com as falas por exemplo e fazer programas especiais de três dias de workshops, muito simples, como administrar uma galeria, o que é contabilidade, por que fazemos feiras, coisas que poderiam ser muito úteis para as galerias, para os artistas, em vez de vendas. E talvez nós pudéssemos ter uma exposição mas eu não acho que precisamos de uma feira.

A última ação que fizemos, por exemplo, foi durante a Bienal de Marrakesh. Fizemos dois painéis de discussão como um projeto paralelo à Bienal e eles estavam muito focados na cena artística marroquina, por exemplo, uma sessão foi sobre colecionar no Marrocos, o que significa colecionar arte contemporânea marroquina, e diferentes palestrantes que são parte da cena artística marroquina estavam explicando, e a audiência estava cheia de questões, eles queriam saber mais, eles nem mesmo sabiam que aquelas pessoas estava engajadas com aqueles tópicos em seu país; e então nós fizemos um segundo sobre o status da fotografia no Marrocos e novamente, este foi um tema realmente muito atraente para a audiência, eles queriam saber mais, eles queriam fazer um arquivo de fotógrafos do Marrocos. Haviam coisas que fomos capazes de responder que eles não tinham ideia. As vagas para os painéis esgotaram e eu acho que nós poderíamos ter enchido um teatro da Universidade.  Há mais ações partindo de nós em torno destes tópicos.

Está muito preocupada sobre a visibilidade da produção artística africana. Podemos dizer que 1:54, em certa medida, é politicamente engajada?

Não tenho qualquer engajamento político; eu não sou patrocinada por ninguém. Honestamente, eu estou do lado do artista então eu acho que há um engajamento artístico. Eu venho de um lugar a partir do qual eu sei que isto é importante. Não é político absolutamente mas é definitivamente uma observação que eles não fazem parte do mercado de arte, e por quê? Por que não? Essas questões estão sendo respondidas nos fóruns algumas vezes e outras talvez estejam apenas dando uma interrogação para a audiência: por que não vimos este artista antes? Por que eles não estavam no mercado de artes antes? Quando você apenas pensa sobre isso, e talvez isto seja político: por que artistas africanos precisam de tantos vistos para virem à Europa ou aos Estados Unidos? Mesmo quando eles ganham prêmios, eles não podem receber os prêmios porque eles não podem receber seus vistos para vir buscar seus prêmios. Então eu acho que é definitivamente mais difícil ser um artista no continente e ter uma presença internacional por causa de todas as questões relativas aos vistos e em um sentido isto talvez seja político. É alguma coisa que se aplica apenas a artistas africanos. Você tem que provar que você vai continuar a viver em África e quando você é um artista independente você não pode provar que você tem um salario, você não pode provar tudo isso. Nosso desafio mais difícil começa quando convidamos artistas para participarem das falas e temos que fazê-los vir a Londres ou a Nova Iorque e eles não conseguem obter o visto a tempo. Algumas vezes nós pagamos pelos bilhetes e tudo e eles não podem obter o visto. Eles precisam de tudo para provar que eles estão apoiados mas aí eles não recebem o visto. Para nós esta é a luta que eles vivem, eu acho que as pessoas não se dão conta de quão difícil é, por exemplo, se eles querem fazer um programa de residência na Espanha ou nos Estados Unidos, é alguma coisa que eles realmente precisam começar a produzir com muita antecedência. E nós vemos que os artistas que têm melhores networks e conexões etc. são aqueles que são capazes de viajar mais livremente, eles vivem na Europa e eles podem ir a qualquer lugar que eles queiram, então eles têm boas conexões com instituições, com programas de residências etc. Mas no continente eles têm mais dificuldades para viajar para fazer todos estes programas interessantes.

Como vê o futuro de 1:54? Há algo que gostasse de fazer com uma plataforma que você ainda não fez?

Para ser realista, nós precisamos consolidar Nova Iorque – que é um grande mercado para nós e nós somos muito novos então eu não me vejo abrindo uma feira, uma terceira feira, no próximo ano ou algo assim. Em termos de feira, definitivamente este é o nosso principal foco: Nova Iorque e Londres; e nossas intervenções no continente serão muito mais relacionadas à educação, com workshops, painéis de discussão e eventos como os quais nós podemos nos engajar localmente e também conhecer mais colecionadores no continente.

  • 1. Touria é filha de Hassan El Glaoui, um artista marroquino.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.