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TEMPO DE BICHOS – PRIVATE Z(oo)M

Celebrando as 70 vidas do poeta Arménio Vieira

29 de Janeiro 2011 – 18:30 – Livraria CE BUCHHOLZ – Rua Duque de Palmela, 4 – Lisboa

Mais uma performance do TRIO MAJINA
desta vez sobre os BICHOS na poesia de Conde de Silvenius.

Mito Elias – Poesia, vídeos e sonorizações.
Elmano Caleiro – Contrabaixo e Baixo eléctrico.
José Brazão – Percurssão.
José Cunha – MC & orador residente.

TEMPO DE BICHOS – Projecto MAJINA
O POETA

Que bichos são estes, senão nós mesmos. Sempre o homem, na sua condição mortal e precária, com as suas grandezas e misérias, no centro da obra de Arménio Vieira. Mesmo quando convoca os Bichos do seu animalário, ou sobretudo quando os convoca, para se tornarem no espelho de todas as nossas perplexidades, onde buscamos as impossíveis respostas para este improvável destino de bicho-gente que somos. Para o poeta de Mitografias, à força de querermos ser diferentes transformamo-nos em burros, sem que isso nos dê a dignidade que ser burro, jerico ou asno implica. De tão distraídos, e sonolentos, tornamo-nos “animais de capoeira”. Não galinhas, porque como nos lembra o poeta “as coisas
são o que são”. Fazem de nós galináceos adormecidos e anestesiados. Podemos também ser frustrados e vingativos tubarões, ou tigres sanguinários e sem nobreza. Há uma nobreza de bicho que em nós se transformou em mera animalidade, e que fomos perdendo como em HOMENS-CÃES (E VICE VERSA). Mas desenganem-se. Os homens não são bichos. São meros bichos e animais como os bichos e os animais nunca ousam ser. Sim, porque afinal “as coisas são o que são”, e “mais não digo”, diz o poeta, na forma irónica de quase tudo dizer no que diz não dizer. Irónico, mordaz, corrosivo, com um refinado sentido de humor, são estes alguns dos instrumentos de precisão com que Arménio Vieira nos sonda a alma e põe a nu o sentido da existência. Herdeiro de uma tradição literária maior, Homero, Dante, Shakespear, Camões, Melo Neto ou Sena, é toda uma tradição cultural e literária na qual ele se insere e se assume, “li-os todos” (Arménio dixit), que está no centro da sua obra e nela se prolonga sem angústias.


O PROJECTO
Que nome dar a este espaço de exaltação estética, em que somos convocados para a celebração da palavra, numa ritualização mágica e interactiva, que nos franqueia os domínios do sagrado pela porta profana do fascínio, do prazer e da fruição plásticas?
Domina nestas performances o aparato da sua encenação, e não estamos distantes dos rituais da sagração. Mas sem obediência a um qualquer cânone, que não seja o do improviso, da experimentação, da irrupção do novo. Não faltam também, como nos domínios do sagrado, as técnicas, os instrumentos, os objectos, e até a figura do celebrante, embora aqui estejam estiolados, implodidos na sua missão de ordenamento, regulação e controlo, que dão lugar a uma prática da desobediência, da iconoclastia, de inesperado e até de insólito. É uma atmosfera mais mágica que mística, um território mais estético que religioso mas onde não estão totalmente ausentes o espiritual e o sagrado. Os caminhos é que são outros, diversos, inusuais. Enquanto espaço de ritualização ele obedece a um processo de constante reinvenção, recriação. É a isto que chamamos PERFORMANCE POÉTICA, ou POÉTICA PERFORMATIVA, ou ainda ORAL ACTION (à maneira da Action Painting), território complexo e pluridisciplinar de hibridização pós-moderno, onde as linguagens se fundem num processo fecundo de crioulização e mestiçagem.

O AUTOR
Os trabalhos de Mito obrigam-nos constantemente a um olhar outro sobre a realidade. Um pouco à semelhança de uma certa poesia de Arménio Vieira, aqui celebrada, é um exercício de atenção contra a desatenção a que estamos sujeitos (ver poema ISTO É QUE FAZEM DE NÓS). A procura constante de processos de contaminação, de técnicas e de linguagens, sublinha o carácter experimental de um trajecto ímpar no panorama da arte caboverdiana. 

 

 

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