Website on global south and decolonial issues.

Ana Paula Tavares, entrevista ao Sapo

Ana Paula Tavares nasceu no Lubango a 30 de Outubro de 1952. Poetiza e historiadora, estudou História na Faculdade de Letras de Luanda e terminou em Lisboa. Mais tarde concluiu o mestrado em Literaturas Africanas. Actualmente a escritora vive em Portugal onde faz o Doutorado em Literatura e lecciona na Universidade Católica. É uma das mais importantes vozes femininas da actualidade no que diz respeito à literatura. Foi membro integrante nas áreas de Cultura, Museologia, Arqueologia e Etnologia, Património, Animação Cultural e Ensino. Obras da sua autoria de grande sucesso são: ´Ritos de passagem’ (poesia, 1985), ‘Sangue da Bunganvília’ (prosa 1998), ‘O lago da Lua’ (1999 poesia), ‘Dizes-me coisas amargas como os frutos’ (2001 poesia), ‘A cabeça de Salomé’ (prosa 2004), ‘Os olhos do homem que chorava no rio’ (romance 2005), ‘Manual para amantes desesperados’ (poesia 2007). A escritora está actualmente a terminar a sua mais recente obra literária intitulada ‘Como veias finas da terra’.

Porquê que está há tanto tempo fora de Angola?
: Bem, eu não contava ficar muito tempo fora de Angola, mas o doutoramento, mestrado e o tempo de investigação fizeram com que ficasse por lá muito mais tempo do que previsto.

Pretende voltar para o seu país de origem?
: Depois de completar esta fase de investigações e alguns trabalhos que tenho em curso em Portugal, pretendo voltar para Angola. Também devido às ligações que tenho com as instituições universitárias e com os ministérios.

Qual o motivo da sua vinda nesta altura?
Vim a convite da faculdade Agostinho Neto para orientar uma cadeira de mestrado do ISCED. O assunto é sobre as formações sociais da história de Angola.

Está a escrever algum livro de momento?
Sim. Estou a escrever um livro de poemas intitulado Como veias finas na Terra, que está numa fase de correcções em Lisboa, e se tudo correr bem, ainda este ano irá ser publicado. Mais uma vez passa-se em torno de Angola, em elementos tradicionais e da modernidade, influências…


 Escreve maioritariamente poesia? Gosta de prosa, romances?
Eu gosto da prosa e também gosto de escrever em prosa. Tenho um romance publicado e dois livros de crónicas. Prefiro a crónica ao romance. Mas prefiro claramente a poesia. Há sim algumas coisas que eu gosto… Em torno de histórias de mulheres, mulheres muito fortes. Mulheres que eu gostaria de ver como personagens.

Quando escreve, tenta passar alguma mensagem concreta para os leitores ou escreve somente o que lhe vai na alma?
Nem uma coisa nem outra. A escrita é um processo de construção e não apenas passar o que vai na alma cá para fora. Saí também o que nos vai na alma mas com muito trabalho em cima disso. Eu acho que ninguém escreve totalmente para si próprio. Eu tento ser entendida. A pessoa escreve… E eu acho fácil dizer isso, pois durante muito tempo escrevi e não publiquei.

Quais são os pensadores e poetas que têm mais influência na sua  formação como escritora?
Eu citaria alguns que tiveram muita influência no trabalho que eu fiz, de uma maneira ou de outra: Davi Mestre, Arlindo Barbeitos, Rui Duarte de Carvalho, Jorge Amado Manuel Bandeira e Drummond, diria que são as minhas referências. Mas, em determinadas épocas da minha vida, fizeram parte de meu universo literário: Murilo Mendes, Clarice Lispector, Octávio Paz, Soyinka e alguns outros.

Nessas leituras, procurou a poesia mais romântica ou a mais realista, forte, que denotava a sociedade, ou que buscava a religiosidade?
Nunca  fui à  procura de uma poesia por ela ser mais romântica ou mais realista. Gosto da poesia que me toca de alguma maneira, que me impressiona.

: Como é a sua vida quotidiana em Portugal?
Muito trabalho de investigação, na preparação de projectos para serem publicados, muita leitura e sempre muito atenta aos acontecimentos relacionados com nossa cultura.

 Quais são os seus projectos para o futuro?
Ana Paula: O regresso para Angola. Quero terminar os trabalhos que tenho em Portugal e depois regressar e começar uma nova fase.

 Tem algum conselho a dar à nossa juventude?

Ana Paula: O apelo que faço aos jovens é que tenham uma maior intervenção na escrita e que não deixem de ler. Sigam os passos da velha guarda e acreditem que vão longe.

Por: Mariana Rodrigues Sapo Set 2010

 

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.