Website on global south and decolonial issues.

“De que África estamos falando” (I) : perspectivas da pesquisa histórica e do ensino de História da África (do século XI à primeira metade do século XIX)

XXVI SIMPÓSIO NACIONAL HISTÓRIA
ANPUH 50 anos
São Paulo, 17 a 22 de julho de 2011.
Universidade de São Paulo (USP)
Cidade Universitária
* Coordenadores: *MARIA CRISTINA CORTEZ WISSENBACH (Pós Doutor(a) –
Departamento de História USP), VANICLEIA SILVA SANTOS (Doutor(a) –
UNIVERSIDADE FEDERAL MINAS GERAIS)*

Este simpósio tem por objetivo reunir pesquisadores do Brasil vinculados com a pesquisa e o ensino de história da África. Fazendo um recorte cronológico e abrangendo aqui os processos históricos africanos ocorridos entre o século XI e a primeira metade do século XIX, as temáticas compreendidas são, propositalmente, bastante amplas, incluindo problemáticas, regiões e tempos diversificados. A época abrangida equivale à história africana no período chamado de pré-colonial caracterizado pela independência e autonomia das sociedades africanas, pela diplomacia e reciprocidade nas relações com os agentes europeus e pela intensa participação das mesmas nos fluxos de comércio de longa distância (em direção ao Mediterrâneo, ao Atlântico e ao Índico). E, num sentido amplo, o intenso comércio de escravos e outros produtos, e os fluxos e refluxos de populações africanas entre as Américas e o continente africano.

Assim, serão bem-vindas pesquisas em andamento e reflexões que tratem de questões tais como:

– As reflexões sobre a historiografia africanista: tendências, debates e contribuições teóricas;
– Os estudos sobre as sociedades sahelianas e sobre a expansão do Islã na África;
– As análises sobre a representação do continente africano, desde o período das viagens árabes e portuguesas no século XV até as que ocorreram na primeira metade do século XIX;
– As relações euro-africanas nos diferentes contextos históricos na época moderna; sociedades e grupos hifenizados.
– As transformações nas estruturas sociais e sistemas políticos africanos no
período do tráfico escravo; a historicidade do tráfico e suas fases;
– As relações comerciais internas e externas do continente africano no
período moderno;
– As comunidades afro-americanas na África e os retornados;
– A história da África no ensino superior no Brasil: formas de abordagem,
debates conceituais, seleção de temas;
– O ensino de história da África e a formação inicial e continuada de
professores: problemas teóricos e metodológicos, produção de materiais para
a preparação dos docentes, a pesquisa na área. …
 *Justificativa*: O estabelecimento da obrigatoriedade do ensino da
“História da Cultura Afro brasileira” em todas as escolas de ensino
fundamental e médio (Lei 10.639/2003 e Lei 11.465/08) cujo conteúdo
programático inclui a “História da África e dos Africanos”, começa a
apresentar conseqüências. De um lado, as instituições federais e estaduais
de ensino superior adicionam em seus currículos a disciplina de História da
África e realizaram contratações de professores especializados e, de outro,
desenvolvem-se pesquisas históricas feitas nesta área. A despeito dos
estudos africanos e da diáspora estarem firmemente estabelecidos no Brasil
há algum tempo, a ampliação do campo tornou-se evidente nos últimos anos. O
número de estudiosos envolvidos com as temáticas africanas ampliou-se, como
também os mestrados e os doutorados defendidos e em curso.
Desta forma, no ano de comemoração dos 50 anos da ANPUH, pretende-se
realizar um levantamento das várias linhas de pesquisa em História da África
que estão sendo desenvolvidas nas instituições brasileiras e reunir as
experiências de ensino na disciplina nos cursos de bacharelado e
licenciatura. A intenção é abrir um espaço para congregar pesquisadores;
promover a troca de informações e experiências entre eles e criar um fórum
de discussão para enriquecer as condições de pesquisa e aprofundar os
diálogos entre a pesquisa histórica e a formação de docentes. Assim, esta
proposta representa a continuidade do processo iniciado no encontro de
Fortaleza com o simpósio temático “Estudos Africanos: dimensões históricas
das sociedades africanas e dos africanos na diáspora”, que teve
desdobramento em vários encontros regionais da ANPUH em 2010.

*Bibliografia*: APPIAH, Kwame A. A Casa de Meu Pai. A África na Filosofia da
Cultura. RJ: Contraponto, 1997.
BATES, Robert H.; MUDIME, V. Y.; O´BARR, Jean. Africa and the Disciplines –
the Contributions of Research in Africa. Chicago: Univ. Chicago Press, 1993.
BENOT, Yves. As ideologias políticas africanas. Lisboa: Sá da Costa, 1980.
BIRMINGHAM, David. A África Central até 1870. Luanda: ENDIPU, 1992.
CAPELA, José. O tráfico de escravos nos portos de Moçambique. Porto:
Afrontamento, 2002.
COQUERY-VIDROVITCH, Catherine; MONIOT, H. Africa negra de 1800 a nuestros
dias. 2ª. ed., Barcelona: Labor, 1985.
DIAS, Jill; ALEXANDRE, Valentim (coord.) O Império Africano (1825-1890).
Lisboa: Editorial Estampa, 1998.
FAGE, J.D. História da África. Lisboa: Edições 70, 1995.
HAWTHORNE, Walter. From Africa to Brazil. Culture, identity, and na Atlantic
Slave Trade, 1600-1830. Nova Iorque: Cambridge UP, 2010.
HENRIQUES, Isabel de Castro. Os pilares da diferença – Relações
Portugal-África, séculos XV-XX. Lisboa: Caleidoscópio, 2004.
HOURANI, A. Uma história dos povos árabes. SP: Cia das Letras, 1994.
ILIFFE, John. Os Africanos: história de um continente. Lisboa: Terramar,
1999.
KI-ZERBO, J. História da África Negra. 2 Volumes. Lisboa: Europa-América,
1991.
LOVEJOY, Paul. A escravidão na África: uma história de suas transformações.
RJ: Civ. Bras., 2002.
MEILLASSOUX, Claude. Antropologia da escravidão. O ventre de ferro e
dinheiro. RJ: Jorge Zahar; 1995.
M´BOKOLO. África negra: histórtia e civilizações. Tradução. Salvador; São
Paulo: EDUFBA; Casa das Áfricas, 2009.
MILLER, Joseph C. Poder Político e parentesco. Os antigos estados Mbundu em
Angola. Luanda: AHN; 1995.
SILVA, Alberto da Costa e. A manilha e o libambo: a África e a escravidão de
1500 a 1700. RJ: Nova Fronteira, 2002.
THORNTON, J. Africa and the Africans in the Making of the Atlantic World
1400-1800. Cambridge: CUP, 1998; tradução brasileira de Marisa Rocha Mota, A
África e os africanos na formação do mundo atlântico.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.