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Luso-Tropicália

Seg. 15 de Novembro / Padrão dos Descobrimentos / 18h
Luso-Tropicália 16 Nov / 31 Dez

As imagens de Luso-Tropicália foram produzidas no contexto da Residência Artística “Sítio das Artes” inserida no Fórum Cultural “O Estado do Mundo” em 2007, na Fundação Calouste Gulbenkian dando origem a um livro de artista e apresentando-se agora sob a forma de exposição. O projecto é resultado do convite que fiz a jovens músicos de ascendência Africana, imigrantes ou descendentes de imigrantes, para se encontrarem comigo no Centro de Arte Moderna a fim de os retratar. Mas como diz Miguel Vale de Almeida na sua introdução para este livro, estes são simultaneamente retratos e auto-retratos:

O que a artista e os retratados fizeram foi encontrar-se a meio caminho entre o retrato e o auto-retrato. Nesse encontro, a linguagem escolhida para a apresentação de si foi também descoberta no meio-caminho entre a estereotipização do jovem negro e a individuação. Artista e retratados encontraram-se no “lugar” onde a visibilidade é finalmente possível: visibilidade de indivíduos, de pessoas que, como qualquer indivíduo e pessoa, são pontos de intersecção de várias coordenadas colectivas – incluíndo as que constituem a hiper- e a invisibilidade, agora resignificadas e, por isso, superadas, no gesto, na pose, na expressão.

Miguel Vale de Almeida em Ver (se), introdução para o livro Luso-Tropicália de Tatiana Macedo

 

Os protagonistas destes retratos têm em comum não só o facto de terem ascendência Africana e serem músicos, mas também viverem em bairros periféricos da área metropolitana de Lisboa como a Quinta do Mocho, Apelação, Outorela/Portela e Monte Abraão. Não por coincidência, a história deles cruza-se com a minha.

Tatiana Macedo

 

Ter. 16 de Novembro / Cinema São Jorge / 18h
Workshop – Photographs
Imigrantes, emigrantes somos nós
We’re all immigrantes, emigrants
16 Nov / 29 Nov

O ponto de partida para esta Exposição foi o desafio que me foi lançado para orientar um Workshop de Fotografia direccionado a um grupo de jovens de múltiplas nacionalidades, incluindo a portuguesa, mas que na sua maioria são imigrantes/emigrantes ou descendentes de imigrantes/emigrantes. O ponto de encontro foi o Espaço ConTacto, no Mercado do Forno do Tijolo, no Intendente. O mote foi este título e o desafio lançado aos jovens foi o de pensarem e criarem um retrato de “outro” e um auto-retrato.

Deste exercício fizeram parte várias caminhadas pela zona geográfica que circunda o Intendente, onde habitam, estudam ou trabalham.  O que começou por ser um olhar sobre o corpo passou rapidamente a um olhar sobre os espaços públicos que habitamos, espaços íntimos e espaços emocionais. Para muitos foi o primeiro contacto com uma máquina fotográfica analógica e um modo de ver e fotografar diferentes daquele a que estão habituados. O potencial expressivo destas imagens é inestimável, algumas são bastante claras no sentido em que é clara a mensagem que quiseram comunicar, outras requerem um esforço maior por parte do espectador no sentido de “ler” aquilo que as imagens sugerem – amores, sonhos, hesitações, denúncias, aspirações, dúvidas…

Para que no futuro não tenhamos que afirmar que “emigrantes/imigrantes somos nós” mas simplesmente dizer, como se lê no Miradouro da Nossa Senhora do Monte, “ Boa viagem: Lisboa espera por ti”, para os que partem de, ou para, Lisboa.

Tatiana Macedo

Inseridos no Festival Rotas & Rituais

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