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Novo espaço IDENTIDADES + GESTO – PORTO

ABERTURA da nova morada5 de junho de 2011, domingo de eleições, pelas 19h00, ABERTURA da nova morada.Exposição ‘Desenhos de Ângelo de Sousa’. Coral de Letras da Universidade do Porto. Cassete Inconstante, ‘instalação sonora de Manel Cruz’A GESTO Cooperativa Cultural e o ‘movimento intercultural IDENTIDADES’ habitam numa nova morada (R. de José Falcão 107, Porto). Com sorte encontramos esta solução para resolver o vazio criado pela necessidade de ‘deixar’ as instalações na R. de Cândido dos Reis. Fomos sempre muito do que o ESPAÇO possibilitou, ainda que nossa actividade se espanda por geografias diversas (particularmente pelo país, Brasil, Cabo Verde e por Moçambique) e seja o relacionamento interpessoal e intercultural o nosso verdadeiro rosto. Dos tempos da ‘Travessa do Ferraz’ fomos marcados pelos momentos iniciadores, pela pluralidade das acções, pelo estabelecimento de conversas, debates, de partilha, aí estabelecemos a nossa narrativa e desses momentos se construiu a nossa identidade. A loja da ‘Marechal de Saldanha’ possibilitou um renovado contacto franco com a cidade, a acentuação de nossos laços fundadores com a arte e a cultura que produzimos e que divulgamos. De ‘Cândido dos Reis’ resta-nos o agradecimento sentido ao Sindicato dos Bancários do Norte que nos permitiu com o alojamento no coração da cidade a dimensão que hoje transportamos. Agora nesta nova morada queremos ser mais, sabemos que ‘…ainda está tudo para fazer’ (frase do nosso décimo aniversário) e assim nos apresentamos.


José Paiva 

Distinguido recentemente com um “Diploma de Honra” pelo Governo Moçambicano, José Paiva foi, desta forma, premiado pela sua dedicação e apoio no desenvolvimento das três escolas nacionais moçambicanas dedicadas às artes.

A ligação forte a África cresceu com o Projecto IDENTIDADES, que coordena, um movimento intercultural criado em 1996 com o intuito de promover a realização de intercâmbios artísticos entre Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal. Do trabalho desenvolvido pelo IDENTIDADES destaca-se a ligação matricial com a Escola Nacional de Artes Visuais em Moçambique (ENAV) e o vínculo à M-EIA – Mindelo, Escola Internacional de Arte em Cabo Verde.

José Paiva é Assistente da FBAUP, licenciou-se em Pintura e é Mestre em Arte Multimédia, brevemente defenderá a sua tese de doutoramento em Pintura intitulada “ Arte/desENVOLVIMENTO”.

  – O que mais gosta na Universidade do Porto?

A U.Porto tem energias suficientes para uma intervenção sobre o social que produza realidade, que interfira no adormecimento da cidadania gerado pela incapacidade de atenção, pela desvalorização do sentido, pela difusão massificada do vulgar,…

A U.Porto, em particular pela interacção com os estudantes e com o que lhe é externo, tem capacidades para propagar a insubmissão, a crítica e a utopia, perante a grande crise, que se instrumentaliza como grande ofensiva contra a democracia radical.

– O que menos gosta na Universidade do Porto?

A U.Porto repousa no espaço da reprodutibilidade que lhe é oferecido, molda-se ao tecido social onde os modelos salientes da conflitualidade existente tendem a excluir o que sobra, não ouvindo os sons dissonantes que abrem outros entendimentos, libertam o sonho e respeitam a pergunta.

– Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?

A U.Porto pode entender a criatividade não como um instrumento de sucesso empresarial, de empreendorismo, de presença tranquila no circundante, de admiração pelo ocorrido, mas pode procurar a divergência, o improdutivo, a contemplação, a intimidade. Nessa intranquilidade se podem estabelecer as relações de ensino e aprendizagem, os esforços de investigação, a dádiva ao social.

– Como prefere passar os tempos livres?

Tempos livres?

– Uma viagem de sonho (realizada ou por realizar)?

Todas as viagens que nos afastam de nós próprios nos permitem uma observação mais atenta do que somos, nos acrescentam o deslumbramento de nos considerarmos capazes de ser atentos, de ouvir, até mesmo de sentir.

Os meus roteiros persistem nas voltas por Moçambique, Cabo Verde, Brasil e Portugal.

– Um livro preferido?

Os muitos que fazem falta ler, e ainda sinto o abalo dos Metadiálogos (BATESON, Gregory).

– Um filme preferido?

Paris Texas (1984, Wim Wenders), de entre centenas.

– Um disco preferido?

Kind of Blue (Miles Davis) na memória, no ar os sons africanos das Galinhas do Mato (José Afonso).

– Um prato preferido?

Pão com queijo, sumo de laranja, café a nata, como sempre ao almoço.

– Uma inspiração?

Inspiração emprestada por António Quadros a João Grabato Dias, a quem roubo:

É preciso muita coragem para assumir o medo.

Não é para gabar-me mas tenho medo à farta.

Tenho até uma grande geleira repleta

daquele medo definitivo em cubos límpidos

que é o medo de perder o medo algum dia.

21/1/77 (SAGAPRESS)

 

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