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“Razões Práticas: alguns debates etnográficos” no ICS – LISBOA

Encontro PERMOB 29 de Março – Instituto de Ciências Sociais

No processo etnográfico, o analista encontra-se perante situações em que tem que atribuir causalidades às acções dos etnografados.  Essas atribuições tomam em conta tanto com uma apreciação do contexto para a acção tal como avaliado pelo etnógrafo no decorrer do trabalho de campo como com uma relação entre esse contexto e as justificações causais que os etnografados explicitaram.  Em suma, no processo etnográfico existe um entrelaçamento entre duas formas de atribuição de razão para a acção (de “razão prática” como diriam alguns filósofos).  Ora, se aceitarmos que a condição humana é uma de sobredeterminação – isto é, em que não há limite para todas as determinações/causas que contribuíram para um qualquer gesto individual – então, somos confrontados com a necessidade de escolher razões.  Como validamos nós as razões que nos foram dadas? 

Esta questão, por demais abstracta e geral, poderá parecer muito distante do nosso empenho etnográfico quotidiano.  Contudo, ela está presente em tudo o que escrevemos.  O desafio que vos damos é resultante da leitura dos vossos projectos e de verificarmos que, em todos os vossos projectos, emergia uma preocupação em explicar as razões que as pessoas vos davam para agir.  Propomos que peguem em algum exemplo etnográfico que já tenham em mãos e que o venham discutir connosco, no sentido de nos ajudar a todos a pensar as formas como, nas nossas etnografias, lidamos com as atribuições (nossas e dos nossos etnografados) de razões práticas.

 

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