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Conversa BUALA* com Andrew Esiebo

O teu trabalho articula uma abordagem documental – com tópicos que vão desde a sexualidade a questões de género, da urbanização à migração, etc. – e introduz elementos estéticos que nos levam a uma leitura mais poética e ficcional destes mesmos tópicos. A sua perspectiva parece ser mais ativa e intervencionista. Como integra o ativismo político na sua criação?

Realmente, não posso dizer que sou um ativista pois não tenho a intenção de instrumentalizar o meu trabalho para este fim. Pretendo retratar o que acontece no mundo e à minha volta, usando a linguagem da fotografia para envolver as pessoas com algumas questões e deixando a interpretação ao seu critério. Não me sinto confortável quando o meu trabalho é catalogado com um certo estilo, na verdade, penso que o estilo depende da maneira como tenciono articular uma ideia. Quero poder sentir-me livre de explorar qualquer estilo.

 

Na série que publicamos (Portraits series of resilient Africans gays), há uma série de elementos de composição dos retratos (as poses sentadas, uma certa passividade dos modelos, a escolha sistemática de cenários de interiores…) que nos sugerem uma importante intervenção do teu olhar. Como articulas a tua relação com os retratados, com a escolha dos seus lugares e das suas poses?

Em primeiro lugar, este trabalho explora a minha própria percepção da homossexualidade masculina. Para isso, era necessário desconstruir abordagens estereotipadas da heteronormatividade e tentar aportar um outro olhar. Queria desfocar a atenção das práticas sexuais homossexuais (nas quais se está demasiado centrado) e refletir mais sobre temas como o amor, os desejos, as aspirações, a compaixão ou a fé. Para isso considerei necessário introduzir-me nos espaços íntimos dos retratados e procurar os objetos que rodeiam as suas vidas quotidianas. Estes cenários permitiram-me refletir sobre as suas identidades, e a relação destes com o espaço quotidiano mais privado. Para mim foi interessante comprovar que no final, no essencial, partilham os mesmos problemas que os indivíduos e os casais heterossexuais. Se bem que estou a referir-me apenas ao âmbito privado, pois não podemos esquecer que na esfera pública, nas sociedades africanas, estão expostos a outro tipo de agressões.

 

Aprofundando o tema LGBT especificamente na Nigéria: de que forma a recente lei de criminalização das relações homossexuais (de 2012) na Nigéria foi recebida? De que forma foi ou não integrada na vivência real da comunidade LGBT os movimentos, os espaços, a contestação?

É realmente lamentável que as autoridades políticas da Nigéria, por questões de popularidade, tenham falhado no combate à infundada homofobia e às suas terríveis consequências. A comunidade LGBT na Nigéria já vivia num contexto muito difícil de agressão e esta recente criminalização das relações homossexuais piorou definitivamente a situação. A lei diz: “As pessoas do mesmo sexo que entram em contrato de casamento, ou união civil, estão a cometer um crime passível de condenação a uma pena de 14 anos de prisão.” E acrescenta que qualquer pessoa que participe em clubes gays, sociedades e organizações ou que direta ou indiretamente demonstre publicamente ter um relacionamento amoroso com outra do mesmo sexo, está a cometer um delito, passível de uma condenação de 10 anos de prisão. Apesar de tudo isto, a vida tem de seguir em frente e a comunidade LGBT tem adoptado novas e diferentes estratégias nas suas vidas.

 

No vídeo /entrevista “Against the Wall” abordas questões prementes da discussão e criminalização da homossexualidade na Nigéria. Apareces sentado em tronco nu com a face tapada, num espaço de cadeiras vazias. A tua postura neste cenário de ausência de público, com um som de fundo bastante ruidoso e uma constante interferência de luzes sobre o espaço da entrevista, remete-nos para uma comunicação cortada, frustrada, uma invisibilidade ou quase desaparecimento do orador.

Este video é uma metáfora que pretende retratar a situação de muitos homossexuais, naquilo que experienciam de frustração. Os direitos LGBT são uma importante questão de direitos humanos, sempre silenciada na Nigéria. E este vídeo surge para estimular o debate sobre este provocador mas indispensável assunto.

* entrevista realizada em Junho de 2013, por Candela Varas e Francisca Bagulho.

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