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O Dzukuta-Pandza está a bater em Moçambique

O ‘Dzukuta-Pandza’ ou simplesmente ‘Pandza’ é um ritmo musical bastante popular em Moçambique. O ‘Pandza’ surge na segunda metade da década de 2000 e é uma mistura de ‘zukuta’, ‘marrabenta’, ‘hip-hop’ e outros ritmos moçambicanos. Tem um carácter comercial e os seus hits são ‘Maboazuda’, ‘Menina’, ‘Casa 2” e ‘Teresinha’. As figuras mais conhecidas são DJ Ardiles, Ziqo e N’Star. A Dzukuta-Pandza surge como resposta aos críticos do movimento ‘rapper’ moçambicano, que era visto pela sociedade como uma alienação cultural. Assim, este ritmo é criado por jovens que se identificam com Moçambique e a sua cultura. É cantado em português e em línguas nacionais. Regra geral, os temas abordados são de crítica social, o dia-a-dia, os problemas que afectam a maioria da população urbana, explicando-se assim a sua popularidade.

O seu apogeu deu-se entre 2006 e 2008 quando as discotecas, rádios, e os populares ‘chapa 100’, assim como nas festas, o ‘pandza’ passa a ser uma constante.

Portanto, o ‘Pandza’ serviu para elevar a auto-estima e o sentimento de identidade dos moçambicanos. Provou a sua criatividade e que estes não são consumidores passivos de ritmos estrangeiros. Os debates e a crítica à volta da alienação cultural a que os jovens da nova geração estavam votados actualmente diminuiu, o que revela que a sociedade estava descontente com o rumo que a música e os jovens músicos estavam a tomar. Actualmente, este é um ritmo que continua a animar as noites maputenses em parceria com a ‘marrabenta’. É na discoteca mais badalada de Maputo, o ‘Coconuts’, que os espectáculos de ‘Pandza’ são realizados com grande adesão da juventude. De salientar que esta geração de músicos revela uma pujança económica maior que os da velha guarda. De facto, por detrás do ‘pandza’ há uma tomada de atitude, um acto de emancipação por parte desta geração. Procederam ao corte umbilical que os unia à velha geração, à ‘marrabenta’, e criaram um novo ritmo que os identifica e expressa os seus anseios, frustrações e medos.

Sendo Moçambique um país constituído maioritariamente por jovens, o movimento cultural presenciado não constitui surpresa para um observador atento. Este, apesar de presentemente ter abrandado, revela a vitalidade e o papel transformador que os jovens têm. A falta de espaço a nível político para expressar e defender os seus interesses é compensada a nível cultural através da sua capacidade criativa e imaginativa. Este movimento vem provar que os jovens não são um grupo amorfo sem opinião própria ou valorizando o país, pois, na música cantada por eles, as maravilhas do país são enaltecidas assim como valores moçambicanos, apesar de críticos. 

 

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