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Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho – painel II

Durante os dias 10 e 11 de dezembro de 2015, teve lugar, na galeria Quadrum, o colóquio Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho, integrado no ciclo Paisagens Efémeras. Publicamos as comunicações, antecipando a futura publicação online dos artigos resultantes do colóquio. 

Christian Fischgold, Rita Chaves e Anita MoraesChristian Fischgold, Rita Chaves e Anita Moraes

Dia 10: 

Diálogos literários e disciplinares – II

Moderação – Rita Chaves

Christian Fischgold. Viagens e deslocamentos: o “entre-lugar” na escrita ficcional de Ruy Duarte de Carvalho. 

De caráter híbrido, sobrepondo narrativas de viagens, relatos etnográficos, discursos históricos, escrita ficcional e poesia, a obra literária de RDC é o ponto em que uma série de discursos, muitas vezes antagónicos, convergem e entram em contato com tradições orais oriundas do sudoeste de Angola. Tendo como base a trilogia de romances Os Filhos de Próspero, proponho uma análise que evidencie a intertextualidade entre literatura, antropologia e história, e aponte os contributos dessa convergência na abertura de caminhos alternativos nos modos de compreender as relações de poder e saber entre centro e periferia, ocidente e não-ocidente, presentes na escrita do autor. 

Anita Martins Moraes. Repensando a mimesis: realidade e discurso na trilogia Os filhos de Próspero.

A trilogia Os filhos de Próspero resulta da convivência do autor com discursos alheios. Já n’Os papéis do inglês (2000), a própria escrita se representa envolvendo, como elemento central da narrativa, a reinvenção da crónica “O branco que odiava as brancas”, de Henrique Galvão. Da mesma maneira, também n’As Paisagens Propícias (2005) e n’A Terceira Metade (2009) o autor se empenha em lidar com discursos alheios, elaborando o seu discurso dialogicamente (lembremos a interlocução permanente com Paulino). N’As Paisagens Propícias, será central a interlocução com Severo. Em A Terceira Metade, o empenho do autor é também o de relatar o que Trindade lhe teria contado. Nos três casos, encena-se um material discursivo prévio que será reelaborado pelo escritor. Neste trabalho, pretendo investigar, a partir de contribuições teóricas de Bakhtin e Luiz Costa Lima, a representação de discursos na trilogia, lidando com a encenação de diálogos e de leituras, escritas e reescritas.

 

pode escutar aqui

 

Christian Fischgold é doutorando em Letras pela UERJ. Pesquisa em perspectiva comparada as representações indígenas na literatura brasileira e angolana. Formado em Cinema. Mestre em Letras. É membro do Centro de Estudos Interculturais do Instituto de Letras da UERJ.  

contacto Christian Fischgold <chrisfischgold@gmail.com>

 

Anita Moraes é professora de Teoria da Literatura na Universidade Federal Fluminense. Seus interesses de pesquisa se voltam para a questão da representação, com particular atenção para a representação do outro, ou seja, para as questões da mimesis e da alteridade. Dedica-se especialmente ao estudo das relações entre teoria literária e antropologia e entre literatura e etnografia. Em sua dissertação de mestrado, analisou romances brasileiros de temática sertaneja, investigando a representação do cangaceiro e do jagunço. Em seu doutorado, tratou de problemas teóricos envolvendo a recepção crítica de romances africanos, desenvolvendo reflexões no âmbito dos estudos das relações entre escrita e oralidade, do discurso testemunhal e dos estudos pós-coloniais. De suas publicações, destacam-se os livros O inconsciente teórico: investigando estratégias interpretativas de Terra Sonâmbula, de Mia Couto (2009) ePara além das palavras: representação e realidade em Antonio Candido (2015).

contacto Anita Moraes <anitademoraes@gmail.com>

 

Organização: BUALA / Marta Lança / Parceria estratégica: AFRICA.CONT/CML e EGEAC-Galerias Municipais / Colaboração: Centro de Estudos Comparatistas – FLUL e Gulbenkian / Comissão científica : Ana Paula Tavares, Manuela Ribeiro Sanches e Marta Lança 

 

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