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Aida Gomes

Para lá da metáfora. Violência sexual e (pós-)colonialismo no romance Os Pretos de Pousaflores de Aida Gomes

A crítica feminista tem vindo a apontar as implicações problemáticas da transfiguração do corpo feminino violentado em símbolo de um processo histórico, alertando para os códigos de género tradicionais que sustentam a metáfora: conotações de fragilidade e necessidade de proteção atribuídas ao feminino e estigmas de vergonha e culpa associados à violência sexual. Sara Suleri: a violação enquanto imagem do imperialismo é uma figura cuja obsolescência a tornou insuficiente para uma leitura sustentada das valências do trauma implicadas no simbolismo sexual do colonialismo.

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Encruzilhadas históricas: entrevista à escritora Aida Gomes

Tenho sempre consciente o enorme esforço do que é construir-se um país de novo; nas casas novos tijolos e nas janelas vidros. Pergunto-me sobre as pessoas: basta-lhes também pintar de novo as paredes das casas? Na Holanda quem viveu a guerra ainda traz as marcas consigo; não consegue deitar comida fora porque passou fome, não consegue apagar de si a vulnerabilidade de ter sobrevivido (mesmo o ódio ao inimigo de então subsiste). Não sei até que ponto o facto de ter crescido fora de Angola, país onde questões políticas trouxeram uma guerra longa, terá afectado as minhas escolhas profissionais. Guerra, conflito e política foram os assuntos dominantes do meu trabalho.

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Os Pretos de Pousaflores – PRÉ-PUBLICAÇÃO AIDA GOMES

No Heilongo a Ercília não pára de perguntar, alguma vez viste o mar?
“É assim, o mar tem telhas de zinco azul transparente e paredes de nuvens. Os peixes têm camisas prateadas e casacos de lapelas douradas. Os lagartos jardineiros alisam a areia para que nas águas dancem flores de sal colorido.”

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