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filosofia

Fazer mundos: do tempo que passamos juntos

É contra este desligamento, contra esta hierarquia da teoria sobre a praxis, por exemplo, que este livro opera. Não digo a que este livro se refere, digo “que este livro opera” porque, sentindo-se o que nos é informado numa nota na página final desta publicação, que se trata aqui de textos que derivam de publicações anteriores em artigos ou ensaios de jornal, sente-se também um pensamento que é feito acompanhando e entrelaçando-se, com a contingência, com as circunstâncias históricas atuais e com a práxis da vida quotidiana. É também de questões que reverberam diretamente dos dias que estamos a viver que este livro emerge, interpelando o nosso modo de os habitar.

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Entrevista a Virgílio Varela. Afinal, o que nos faz sentir realmente vivos?

Isto demonstra o quanto a sociedade em que vivemos nos convida a ser apáticos. A não sentir. É exatamente por não sentir que nós permitimos atrocidades perto de nós. É por não sentir que passamos por um mendigo na rua e continuamos com o nosso caminho, como se essa pessoa não estivesse ali. É por não sentir que vemos acontecer alguma injustiça e ignoramos por não ser nada connosco. É por não sentir que vemos o nosso planeta ser destruído, mas não ligamos por não se passar no nosso país, mas num outro. Não é aqui, mas ali e por isso, não tem nada que ver comigo. Então, uma sociedade que sustenta a vida e isso de se sentir vivo é a possibilidade de ativar toda as minhas potências, sejam elas todas as minhas emoções, os meus sonhos, a minha imaginação e colocar tudo isto em serviço de algo maior, de modo a trazer saúde para todo um sistema vivo.

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O existencialismo com Jean-Paul Sartre

Em relação ao existencialismo, o francês achava que este não era mais do que uma tentativa de visualizar todas as consequências do comportamento humano a partir de um ateísmo cerrado e firme. Assim, partia do princípio da ação independente e auto-responsável do ser humano como um ser consciente, em que o resultado desse conjunto de ações e de vivências formariam aquilo que seria a sua verdadeira essência.

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Chamada para Dossiê Temático, “Negritude e Pensamento Acadêmico”

Transitar pelo contexto sócio-histórico e pelo interior do pensamento social e filosófico, com particular atenção à filosofia africana, tendo como principal meta ressignificar e permitir que os novos sujeitos sociais releiam e reinterpretem a sua própria história; reconhecer a desterritorialização da epistemologia cravada a partir dos gregos e da filosofia europeia; e, por fim e talvez o mais importante; buscar uma ruptura da continuidade epistemológica, de modo a reconhecer, na anterioridade histórica dos africanos e dos negros da diáspora, os seus valores e a contribuição histórica que eles proporcionaram à humanidade.

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Ser apenas negra, feminista radical e gaga

cada vez mais fico com a sensação de que um dos desafios que a condição pós-colonial coloca a pessoas como eu é de sermos melhores europeus do que os próprios europeus, pois estes, por deixarem que sejam seus porta-vozes pessoas sem noção do importante legado intelectual e moral que a sua nacionalidade implica, abdicam dum projecto normativo que, apesar de tudo, tinha (e ainda tem) tudo para dar certo.

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1 (vida) ÷ 0 (negritude) = ∞ − ∞ ou ∞ / ∞: sobre a matéria além da equação de valor

E se negritude se referisse a uma definição rara e obsoleta de matéria: respectivamente “substância de que consiste algo” e “substância sem forma”? Como afetaria a questão do valor? O que aconteceria com o valor econômico das coisas se fossem lidas como expressões de nossa gramática moderna e de sua lógicadefinidora da obliteração? Será que isso exporia como o objeto (de troca, apreciação e conhecimento) – isto é, a coisa econômica, artística e científica – não pode ser imaginada sem pressupor uma coisa ética (autodeterminante) que é sua própria condição de existência e determinação de valor em geral?

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Descolonizar os currículos na SOAS, Filosofias do Mundo

Da mesma forma, o profundo pensamento filosófico desenvolvido ao longo de milhares de anos na China pode passar sem uma única menção em muitos currículos de filosofia no ocidente. Os estudantes de filosofia devem ser encorajados a travar contacto com o trabalho desafiador de pensadores como Kwami Anthony Appiah, Franz Fanon, Achille Mbembe, Valentin-Yves Mudimbe, Enrique Dussell e Walter Mignolo do mesmo modo que o fazem com Parfit e Strawson. Ou não devemos nós todos assumir a tarefa de nos envolvermos, para citar Nietzsche, com “o que pode ser pensado contra o nosso pensamento”?

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Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho – painel IV Epistemologias

Durante os dias 10 e 11 de dezembro de 2015, teve lugar, na galeria Quadrum, o colóquio Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho, integrado no ciclo Paisagens Efémeras. Publicamos as comunicações, antecipando a futura publicação online dos artigos resultantes do colóquio. Epistemologias IV com Luhuna Carvalho, Ana Paula Tavares e José Luís Garcia.

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Conversas à tardinha

Conversas entre as crianças sobre temas que têm a ver com alguns dos obstáculos com que se confrontam no seu dia a dia, devidos à exclusão social: o tráfico e consumo de droga que algumas delas chegam a presenciar em certas zonas do seu bairro, a prisão onde podem encontrar-se familiares ou amigos destes; o roubo e o crime, acerca dos quais todas elas já ouviram falar, pelo menos enquanto acontecimento provável. Trata-se de perceber como é que a prática da Filosofia com Crianças pode abrir a reflexão para pensarem a sua situação de modo a sentirem-se mais integradas para além da comunidade em que vivem.

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O pensamento tradicional africano, entrevista a Ferran Iniesta

Para nós, ocidentais, a filosofia é o máximo. Para qualquer tradição, a filosofia é uma anedota, um detalhe muito simples. Sensorialmente nós percebemos a distância entre uma mesa e uma coluna. Este é um conhecimento útil. Inclusive a pequena tecnologia instrumental, desde um martelo a uma nave espacial, forma parte do espaço separativo no qual a mente opera mediante a separação entre sujeito e objecto. Todo aquele que tende a um conhecimento mais amplo, mais de conjunto, mais reticular, transborda isso. O que não quer dizer negá-lo. Simplesmente, transborda, integra-o e minimiza-o em termos de valor. A tradição quer manter esse enquadramento mais amplo, que a filosofia abandonou. Em África não há filosofia porque nunca abandonaram totalmente essa perspectiva ampla.

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