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Louca verdade e outros (in)verosímeis desatinos, paradoxos e incongruências do quotidiano

O regime caboverdiano de partido único veio a contradizer, e de forma cristalina e notória, uma pretensa imagem impoluta e moderada que o mesmo vinha construindo e propalando junto das comunidades emigradas e dos seus imprescindíveis parceiros internacionais, dos quais depende, aliás e em grande medida, a mera sobrevivência física das populações das ilhas, assim logrando o mesmo regime a estranha e risível façanha, o por demais inaudito e ostensivo desígnio de se desnudar de falsos pudores e mentirosos alardes e ardores democráticos e, assim, de se desmascarar em si mesmo e a si próprio nas suas flagrantes e manifestas pulsões e perversões totalitárias, deste modo também se comprovando como um autêntico logro e uma verdadeira falácia a sua auto-representação e a sua auto-projecção na opinião pública nacional e internacional como sendo um regime respeitador dos direitos humanos universalmente reconhecidos.

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“A vida das mulheres não tem significado para os governantes angolanos”, entrevista a Djamila Ferreira

Nasci em 1989 e cresci num país onde nunca vi um partido diferente a governar, nunca vi alternância política, cresci com um único Presidente da República, que só mudou há quatro anos. Estou a ver outro Presidente no poder e aí se quer manter. Por causa disso, penso que houve mais união popular para fazer pressão e empurrar o sistema. A ativista angolana fala das dificuldades de quem trabalha em recorrer à Justiça angolana e de como falha em casos de abandono familiar, situações de abuso e violações sexuais e despedimentos por gravidez. “Temos as mulheres totalmente acorrentadas e condenadas a serem cada vez mais pobres.”

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Da luta, da perda, da caboverdianidade: entrevista com Flávia Gusmão

#4 MANGIFERA é a quarta de cinco partes de um projeto artístico transdisciplinar sobre a perda e o luto, criado por Flávia Gusmão no seguimento da morte prematura da produtora, gestora e ativista cultural cabo-verdiana Samira Pereira.

A criação NA LUT@ organiza-se em torno de cinco partes, a primeira das quais estreada há cerca de um ano, no Festival Internacional de Teatro Mindelact, em Cabo Verde; e que terá o seu último capítulo apresentado no Teatro São Luiz, em Lisboa, em abril de 2023. Concebido como forma de processar a perda, NA LUT@ cria um jogo de palavras que, em crioulo, significa simultaneamente “na luta” e “no luto”, e introduz como temas as fases do luto — negação, raiva, negociação, depressão e aceitação —, assim como noções e questionamentos de identidade e pertença, o sincretismo das comunidades cabo-verdianas, e os seus conceitos históricos, políticos e culturais.

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Chile: um modelo de maltrato e privilégio

Encontrei slogans contra a polícia e o governo, barricadas com fogo, muita gente batendo panela, saques em supermercados, esperança, indignação, medo e muita solidariedade. Senti-me parte de um coletivo e, vivendo um momento único, senti orgulho de ser chileno.

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Filme ‘Gabriel’, afectos, direitos, oportunidades e sonhos

O desempenho dos protagonistas do filme e a extrema fragilidade de laços sociais faz o espectador mergulhar numa intensidade de cenas portadoras de mágoas, incompreensões e revoltas internas sobre os problemas enfrentados pelas sociedades ditas modernas e globais, que colocam tatuagens em grupos sociais e povos face à pobreza e corrupção do serviço público desumanizante para quem não tem capacidade de montar um sistema alternativo – mesmo que marginal – que possa garantir segurança e possibilidade de continuar a viver com dignidade.

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As origens do movimento negro e da luta antirracista em Portugal no século XX: a geração de 1911-1933

A questão colonial será a grande ambiguidade revelada por esta geração de ativistas. A realidade social e política nas “colónias” africanas, as injustiças aí cometidas ou a luta por mais autonomia serão uma constante ao longo dos anos nas páginas desta imprensa. No entanto, nunca haverá uma posição anticolonial total que exija de forma taxativa a independência efectiva dos territórios ocupados; também por isso Mário Pinto de Andrade refere-se a esta geração como Protonacionalistas em oposição ao movimento surgido no pós-II Guerra Mundial, os Nacionalistas Africanos.

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Estamos todos em perigo: razões e perspectivas da vitória eleitoral autoritária no Brasil

Marchas, grupos, associações, festas, hortas, ocupações, ações e criações mil constituem a irrupção singular de novas subjetividades preta, LGBTQ+, trabalhadora, periférica, feminista, indígena, múltiplas que desperta medo (todos os levantes brasileiros foram seguidos de uma brutal repressão – a revolta do malês de 1835 como um dos inúmeros exemplos). O golpe (que segue) como uma peculiar contra-revolução, desencadeada pelo temor da exuberância vital dos corpos livres, insubmissos, descolonizados, não domesticados. Daí as reações identitárias (branca, masculina, heteronormativa) que pululam e os ataques constantes às principais esferas de atuação (cultura e educação) dessas emergências.

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Postais das viagens e da luta de Amílcar Cabral

O relato das viagens de Amílcar Cabral, incontornável líder da luta anticolonial, é aqui, quase, biografia, na exata medida em que conta as experiências do autor num registo novo, que não conhecíamos. Com efeito, este livro compila uma inestimável antologia de alteridade e de construção, na linha da premissa da libertação como ato de cultura e de desafio humanista, preconizados por Cabral, de “aprender, aprender sempre; pensar com as nossas próprias cabeças”.

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A coisa tá branca!

A política das alianças brancas no mundo da arte tem implicado a manutenção de um sistema desigual de distribuição de recursos, que permite que pessoas brancas “esclarecidas” controlem as agendas do debate racial nesses campos, irrigando os imaginários coletivamente produzidos por meio do sistema de arte com base na sua ótica e ética estreitadas pela adesão sempre parcial, e algo oportunista, ao projeto de abolição do mundo como conhecemos.

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O herói insolente

Henrique Luaty da Silva Beirão, 33 anos, é o improvável herói de um movimento de democratização que cresce todos os dias, tirando o sono ao Presidente José Eduardo dos Santos. Estendido numa cama de um hospital-prisão, em Luanda, em greve de fome, Luaty Beirão está a mudar a História de Angola

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