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As histórias de jovens mortas nas manifestações por liberdade e contra o uso do véu no Irão

A morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia policial levou à eclosão de uma onda de protestos no Irão. A jovem foi detida pela chamada “polícia da moralidade” por causa da forma como usava o véu islâmico – segundo relatos, teria deixado alguns fios de cabelo visíveis sob o hijab. Segundo testemunhas, Mahsa foi agredida numa viatura. A polícia nega, e diz que ela morreu por causa de um problema cardíaco pré-existente.
O uso do véu tornou-se obrigatório no país após a Revolução Islâmica, em 1979, que transformou a vida dos iranianos – principalmente as mulheres, que viram os seus diretos serem bastantes restringidos.

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“The Satanic Verses”. O livro que obrigou o mundo a distinguir a realidade da ficção

Salman Rushdie não inventou os versículos satânicos. O título da obra que maior alvoroço causou na história recente refere-se a um episódio problemático nas próprias fontes do islão. Na origem da controvérsia está uma passagem do Alcorão (o versículo 53:21,22), que em parte terá sido corrigida depois de o profeta Maomé ser tentado por Satanás, proferindo palavras que admitiam a existência de outras entidades divinas além de Alá.

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Cenas do Gueto I Fé

Com igrejas evangélicas, adventista, católica e, inclusive, uma mesquita, a Quinta do Mocho é um lugar de fé. No coração do bairro, a sua praça principal serve de local de culto, em que manifestações rítmicas e corporais traduzem a vontade dos seus participantes de se comunicar no campo espiritual.

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“Tornei-me quem sou pela relação de amor com a transgeneridade”, entrevista a Gaya de Medeiros

Acho que em geral, não só aqui, eu sinto que é muito mais mediático o tema da transgeneridade.
É muito mais conversado e ao mesmo tempo que sinto que é uma temática um pouco cansada, um pouco desgastada nas mesmas narrativas, e o meu trabalho aqui em Portugal e no Atlas da Boca é tentar renovar essas narrativas, é falar assim: nem todas as travesti, nem toda mulher trans vai se identificar pela dor, pelo problema com o corpo, pela não aceitação, pela disforia.

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Onde o Tibete resiste, fecham-se as portas ao mundo (I)

À nossa chegada, num cartaz gigante, escrito em chinês e tibetano: Administre os assuntos religiosos de acordo com a lei, não são permitidos templos ou monges ilegais. Do outro lado da estrada, novo letreiro dá voz a mais uma campanha do Partido Comunista Chinês para combater a pobreza. Lê-se: Seja grato ao partido, ame a pátria, respeite a lei e esforce-se por uma vida confortável.
Neste lugar retirado de tudo, vem-me à memória a nossa viagem a Xinjiang, no ano anterior, a ubiquidade da propaganda, dos postos de controlo, de um constante desassossego, Está tudo em ordem, digo para mim, e recordo alguns exercícios de respiração enquanto avançamos finalmente em direcção a Yarchen Gar.

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O fetichismo da marginalidade (II)

Não creio que a Argentina se transforme no Brasil. Penso que as igrejas aqui nunca terão tanto poder como lá têm. A Argentina é uma sociedade bastante secular. Agora, é preciso compreender plenamente o que acontece numa igreja, as pessoas não vão apenas em busca da promessa do paraíso, que é normalmente a primeira coisa que se pensa a partir de um lugar secular; não, as pessoas vão à igreja para encontrar colectividade, entusiasmo partilhado, dançar, gritar, êxtase. Uma pessoa cuja vida é bastante monótona, limitada e com muito esforço físico no trabalho, como poderia não querer ir para um lugar onde sente tantas emoções positivas? Porque se eliminarmos Deus e o simbolismo, quem entre nós não tem uma crença?

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Caro Amigo Preto

Estava a escrever para o amigo branco, mas tirei um pouco de tempo para ti. Resolvi que era melhor começar por falar contigo, por estares aqui mais perto de mim. Mas antes amigo preto, peço que não faças veto a que eu comece pelo amigo panafricanista guineense. Não penses que é nacionalismo, é apenas comodismo, porque eu o conheço melhor e tenho com ele mais espaços de encontros em comum…
Hmmm, sabes que mais, mudei de ideias, acho que vou deixar o guineense para último, típico, tipo que é mais específico.

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Os enigmas das monjas

No século XVII, freiras portuguesas amantes da literatura criaram uma relação especial com uma religiosa erudita do México colonial, Sor Juana Inés de la Cruz. Com poesia e enigmas de amor, defenderam o direito das mulheres ao conhecimento. Os escritos das religiosas ganharam pó por 300 anos na Biblioteca Nacional, em Lisboa. Até que um investigador tropeçou nas folhas soltas.

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Devotos em cisma: a Igreja Universal do Reino de Deus em Angola

O conflito entre a “direção brasileira” e o “movimento de reforma angolano” veio à tona em 28 de novembro de 2019, com a publicação de um “Manifesto Pastoral” assinado por mais de 300 pastores e bispos angolanos e encaminhado ao bispo Honorilton Gonçalves. Nele, exigiam que os líderes brasileiros deixassem o país e que a liderança da Igreja passasse aos homônimos angolanos, num movimento de “angolanização”. As acusações foram graves: prática de nepotismo, racismo, concessão de privilégio a religiosos brasileiros na atribuição de responsabilidades eclesiásticas e administrativas, tratamento discriminatório com os pastores angolanos, evasão de divisas para o exterior.

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Entre prática religiosa e espaço de culto: as dimensões do corpo-crente em “Variações da Fé”

Uma das vertentes deste trabalho foi pensar a relação ideológica entre o espaço de oração (a mesquita) e o espaço de exposição (o palácio), no âmbito das suas interligações históricas, culturais e arquitetónicas. Outra vertente do trabalho foi interrogar o espaço ocupado pelo corpo-crente na relação com as práticas rituais e o local sagrado. Em Variações da Fé, o corpo aparece progressivamente, ao longo do desenrolar da proposta no espaço, até desaparecer. Entramos.

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