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Arquiteturas Film Festival — 1 a 6 Junho 2021

8ª EDIÇÃO – BODIES OUT OF SPACE

A 8ª edição da Arquiteturas tem como objetivo refletir sobre a construção social do espaço conectado a um fio que circula dentro de suas próprias narrativas de dominação. Narrativas também sobre identidade que muitas vezes é retirada ou forçada a representar o nosso corpo. Contra algumas suposições atuais, vemos este paradigma perceptivo — um epítome da visão de nossos tempos — como fundamentalmente social, espacial e corporal.

A arquitetura trabalha com poderes administrativos, económicos, políticos e estruturais que controlam, segregam e colonizam, mapeando ativamente os territórios espaciais habitados pelos nossos corpos.

PAÍS CONVIDADO – ANGOLA

Os angolanos têm vivido experiências extremas como a conquista pela independência, conflitos bélicos de longa duração, amarguras políticas e forte oscilação económica. Cada dia se acorda numa Luanda de resistência. A confluência de tempos e de regimes é visível na arquitetura: dos sobrados esclavagistas ao modernismo tropical, do Português Suave ao vale-tudo neo-liberal, com arranha-céus asiáticos das novas centralidades. Um país com escassa produção cinematográfica que é um viveiro de histórias mirabolantes a serem filmadas, pois todo o angolano dava um filme imperdível. Os ritmos eletrizantes são a banda sonora da cidade. A festa nunca pára, nem nos momentos de mágoa. Alegria, um modo de luta ou de alienação? Vamos sentir o pulsar de uma grande metrópole africana e as suas complexidades geopolíticas, com Cuba, China e Portugal.

PROGRAMA

1 JUNHO – Sessão de abertura

Para além dos meus passos — 19h30, Sala 03

Realizadora: Kamy Lara

Durante a criação da peça (Des)Construção da coreógrafa Mónica Anapaz para a temporada de 2017 da Companhia de Dança Contemporânea de Angola, cinco bailarinos exploram os conceitos de tradição, cultura, memória, identidade, questionando a transformação e a desconstrução destes temas nas suas próprias vidas. A maioria deles — provenientes de outras províncias do país — traz consigo memórias e tradições ao se mudar para a movimentada, errática e frenética realidade da capital. Em prol de uma integração, surge a necessidade da abdicação parcial do que somos e a necessidade de criação de uma nova identidade, refletindo sobre o que de original permanece em nós ao longo dos diferentes caminhos de vida que vamos traçando.

2 JUNHO

Archipaper — 17h, Sala 03 

Rafal Barnas 

ArchiPaper é uma curta experimental de animação, não comercial, que conta uma história sobre arquitetura de uma forma não convencional. A maqueta de uma casa foi transformada numa imagem repleta de vida, criando uma história surrealista de ritmo lento, imersa num mundo construído exclusivamente de elementos de papel.

Peter Daler — 17h, Sala 03

Davide Rapp 

O arquiteto alemão Axel Müller-Schöll adora desenhar à mão. Uma paixão nascida no início dos anos 80 como estudante de arquitetura em Stuttgart, alimentada pelas palestras de Adolfo Natalini em Florença e levada a cabo no trabalho diário como designer e professor. Dois grandes cofres guardam mais de 70 cadernos de desenho acumulados em quase 40 anos de trabalho: memórias pessoais e profissionais emergem dos desenhos num fluxo apaixonado de consciência.

The Letter H — 17h, Sala 03

Giulio Squillacciotti

Dois alunos que preparam os seus exames envolvem-se num exercício de reflexão sobre um edifício e o espaço que o abriga. Especulando sobre algo que só existe nas suas mentes, eles vêem-se gradualmente transportados para o ambiente real e a estrutura que estão a moldar com palavras. O diálogo sobre o perímetro da área, os materiais da arquitetura, a luz e as sombras que lhe dão corpo são os elementos que vão ajudá-los a estar naquele edifício como se sempre lá tivessem vivido.

All by Marseille — 17h, Sala 03

Eva Stotz

Como podemos viver juntos nas cidades como uma comunidade? O filme “All by Marseille” examina a influência da arquitetura urbana nos encontros sociais de Marselha. Doze habitantes são retratados vivendo e trabalhando em três locais da cidade, capturando diferentes períodos no tempo e abordagens que abordam esse assunto. Durante as filmagens, vários edifícios residenciais no centro da cidade desabaram, refletindo como a vida em comunidade está sendo ameaçada pela gentrificação agressiva.

Body Buildings — 20h, Sala 03

Henrique Pina

Body-Buildings reúne dança, arquitetura e cinema, misturando identidades e conceitos. Seis coreografias criadas para seis obras de arquitetura, em seis locais de Portugal. Tânia Carvalho, Vera Mantero, Victor Hugo Pontes, Jonas & Lander, Olga Roriz e Paulo Ribeiro. Ponte da Carpinteira, de João Luís Carrilho da Graça; Piscina das Marés, de Álvaro Siza Vieira; Estádio Municipal de Braga, de Eduardo Souto de Moura; Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas, de João Mendes Ribeiro e Menos é Mais Arquitetos; Mudas — Museu de Arte Contemporânea, de Paulo David; Centro de Convívio Irene Aleixo, de Aires Mateus. Covilhã, Leça da Palmeira, Braga, Ribeira Grande, Calheta e Grândola. Desenham-se futuras memórias.

Elinga Teatro 1988/2018 — 20h30, Sala Manoel de Oliveira 

Paulo Azevedo 

Numa cidade onde os espaços culturais são insuficientes, onde os teatros coloniais desaparecem implodidos e substituídos pela arquitectura que desafia o céu, Elinga Teatro vê-se ladeado pelo luxo das novas construções e a miséria dos que vivem nas ruas da Baixa. O Elinga é uma âncora cultural, participa no desenvolvimento do teatro em Angola, estimula a criatividade artística, a inovação e o intercâmbio cultural. A companhia Elinga Teatro está baseada num edifício do século XIX, considerado “testemunho histórico do passado colonial”, tendo sido  desqualificado em 2011 pelo então Ministério da Cultura. A  iminência da demolição de um dos pólos culturais mais ativos do país transformou este teatro no seu próprio mito. A cidade uniu-se pela sua sobrevivência e longevidade em manifestações, vigílias e eventos em homenagem àquele espaço.

3 JUNHO

Astana, a city of the future? — 17h, Sala 03

Laurier Fourniau

No norte do Cazaquistão, Astana é uma das capitais mais jovens do mundo. Construída quase ex-nihilo, como uma espécie de oásis urbano de alta tecnologia, é rodeada por milhares de hectares de estepe pantanosa insalubres, infestada de mosquitos durante o verão, castigada pelos ventos árticos no inverno com temperaturas que podem cair para — 40 °. Brinquedo do presidente sultão, a cidade reflete a própria marca de seu criador. Também está sujeita a várias forças, que são todas fatores de urbanização: reminiscências nómadas conscientes e inconscientes, a velha fantasia do grande oásis da rota da seda da Ásia Central, a ambivalência de modelos urbanos, passado soviético, influências geopolíticas de vizinhos como a Rússia , China ou investidores de países do Golfo, etc. Numa altura em que a cidade acaba de ser rebatizada de “Nursultan”, nome do ex-líder que renunciou, este documentário questiona a cenografia urbana da jovem capital do Cazaquistão. Ele entrelaça as falas e as andanças dos diretores da cidade, em busca de chaves para entender essa equação complexa.

Enter through the Balcony — 17h, Sala 03

Roman Blazhan

Enter Through The Balcony é um pequeno documentário sobre varandas improvisadas na Ucrânia. A falta de regulamentação governamental permite que os ucranianos construam qualquer varanda, independentemente do estilo do edifício, a tal ponto que as pessoas às vezes as reconstroem para serem maiores do que a própria varanda. O filme explora a varanda como uma forma arquitetónica informal que é exclusivamente ucraniana. É uma viagem através das décadas, examinando as varandas e os seus proprietários em cidades por toda a Ucrânia. Por meio dessas histórias, o filme revela a história pós-soviética da Ucrânia — a vida das pessoas, a cultura e a relação entre o espaço pessoal e público nas cidades.

Anbessa — 20h, Sala 03

Mo Scarpelli

Asalif, de dez anos, e a sua mãe foram deslocados por um enorme condomínio nos arredores de Addis Ababa, na Etiópia. Para lutar contra aqueles que o expulsaram, Asalif cria uma fantasia em que se torna o herói mais forte que conhece — o leão (* anbessa *). O seu novo poder leva-o a lugares que ele nunca imaginou e permite que ele enfrente os seus maiores medos, mas Asalif percebe que deve encontrar a força que reside nele como um menino para lidar com a violência silenciosa que ameaça o seu país, a sua família e o seu futuro.

Uma festa para viver — 20h30, Sala Manoel de Oliveira

Ruy Duarte de Carvalho

Filmado durante 15 dias antes da Independência de Angola, e em contagem decrescente, o filme retrata as expectativas de uma família do Bairro do Cazenga em Luanda, dos trabalhadores da TAP, e a cerimónia que teve lugar neste bairro periférico da capital no dia 11 de Novembro.

Afectos de betão — Zopo Lady – 20h30, Sala Manoel de Oliveira

Kiluanji Kia Henda

Inspira-se livremente no primeiro capítulo de Mais um dia de vida (1976), do jornalista e escritor polaco Ryszard Kapuściński, relato auto-biográfico poético sobre o verão de 1975 em Angola, para abordar as resignificações do processo de independência através dos seus sucessivos horizontes temporais. Se os processos de construção e de organização do ponto de vista e a reflexão sobre as formas visuais modernistas são centrais, o filme é estruturado narrativamente por temporalidades múltiplas e difusas, do período anti-colonial ao presente.

4 JUNHO

Lá fora as laranjas estão a nascer — 17h, Sala 03

Nevena Desivojević

Uma montanha enevoada. Alguns olhares desconfiados e a inquietação de um silêncio absoluto. Cantos sagrados ecoam da igreja enquanto um homem permanece só entre as paredes da sua casa escura. Errando pela natureza esplêndida, ele lamenta a sua condição de homem condenado a servir o mundo que rejeitou.

Bela Vista — Ilha Habitada – 17h, Sala 03

Rui Gonçalves Rufino

“Bela Vista – Ilha Habitada” acompanha e regista a reabilitação da ilha municipal da Bela Vista, na cidade do Porto, entre 2015 e 2017. Através dos testemunhos e memórias de diferentes gerações de moradores, registam-se anos de convivências, dificuldades e lutas por melhores condições de vida. A par dos moradores, regista-se também o papel social da Arquitectura nesta intervenção que procurou preservar a identidade do espaço e renovar a sua dignidade no contexto actual da cidade, através dos testemunhos do antropólogo e dos arquitectos responsáveis pelo projecto.

Acasa, My home — 20h, Sala 03

Radu Ciorniciuc

Nas últimas duas décadas, a família Enache viveu no Delta de Bucareste, um imenso espaço verde no qual a vida selvagem se tornou um raro ecossistema urbano. Seguindo o ritmo das estações, eles vivem uma vida simples e isolados da sociedade. Mas a paz logo acabará: não podendo mais escapar dos serviços sociais e pressionados pelo município, são obrigados a se mudar para a cidade e aprender a se conformar às regras da sociedade.

Luanda: A fábrica da música — 20h30, Sala Manoel de Oliveira 

Inês Gonçalves · Kiluanje Liberdade

Num musseque de Luanda em permanente construção vivem os miúdos poetas. Dj Buda é um deles. Todos querem entrar na sua máquina de onde sai Kuduro. Buda cria no computador ritmos electrónicos electrizantes e eles recitam aos berros para o microfone clássico ao estilo de Frank Sinatra. Nunca se viu nada assim. Cada miúdo conta a sua história à sua maneira com as suas palavras no seu estilo. “Sou mais calmo, por isso chamam-nos o Suave”. O resultado destas Buda sessions é uma polifonia cacofónica que conta aqui e agora a vida em Angola. Eles querem ouvir-se. E dançam. As festas que o Dj Buda organiza são um sucesso: há comes e bebes e baile pela noite fora. “Fábrica da Música” é um hino. Mostra como os angolanos são capazes de criar, produzir, vender e consumir o seu próprio produto, neste caso a música. Um verdadeiro grito de independência.

5 JUNHO

Land Shape #1 — 11h, Sala 03

Thadeusz Tischbein

LAND SHAPE #1. Com a visão aérea da paisagem, Thadeusz Tischbein pergunta-se o que essa informação visual pode nos dizer sobre a relação entre a paisagem e a sua utilização. Ele observa os agricultores que criam uma paisagem estética — talvez na tradição da Land Art. Vemos um mundo amigável com as máquinas com estruturas precisas, quase digitais.

Highway NL — 11h, Sala 03

Ben van Lieshout

HIGHWAY NL. A auto-estrada na Holanda tem um comprimento total de quase 2.500 quilómetros. Quase não há outro país com tamanha densidade de auto-estradas. Neste documentário é mostrada a monumentalidade, mas também a aparente quotidianidade da nossa estrada. A auto-estrada é, na verdade, uma arena pouco conhecida para uma ampla gama de atividades. O que é que essa rede monumental e quase perfeita diz sobre nós?

Documentation Report (No. 0617 – 0918) — 11h, Sala 03

Beatrice Moumdjian

Documentation Report documenta uma performance fictícia em espaço público e trata-se de uma documentação de viagem sequencialmente numerada de 16 mm e um arquivo em crescimento contínuo sobre uma mulher que usa um chapéu ou tem uma cabeça que parece uma câmera de vigilância. Ela é vista a caminhar em diferentes cidades da Europa Central e do Leste Europeu, olhando para câmeras de vigilância em torno de edifícios importantes no espaço público. Por exemplo, a agência de inteligência em Berlim ou o Palácio da Cultura Nacional em Sofia.

Cartas de Angola — 15h30, Sala Manoel de Oliveira

Dulce Fernandes

Cartas de Angola é uma viagem a um passado esquecido e um olhar sobre uma memória geográfica onde duas histórias se intersectam: a história de uma portuguesa nascida em Angola nas vésperas da independência e as histórias dos cubanos que combateram na guerra em Angola. Uma travessia pela Cuba de hoje, o filme revela a ligação perdida a uma terra distante e é uma reflexão sobre o frágil lugar do indivíduo no contexto dos movimentos tectónicos da História.

What It Takes to Make a Home — 17h, Sala 03

Daniel Schwartz

O que é que significa morar numa cidade sem um lugar que se possa chamar de seu? Que papel podem os arquitetos ter para lidar com a falta de habitação? E como é que as cidades podem se tornar melhores casas para todos? O documentário What It Takes to Make a Home segue uma conversa entre os arquitetos Michael Maltzan (Los Angeles) e Alexander Hagner (Viena), que vêm a debater com essas questões há muitos anos, através de vários projetos. Embora as cidades e os contextos políticos e económicos em que Maltzan e Hagner trabalham sejam diferentes, ambos procuram estratégias de longo prazo para a habitação em vez de reagir com soluções ad hoc. Focando em algumas causas e condições da falta de habitação, o filme questiona o papel que os arquitetos podem desempenhar na superação da estigmatização das pessoas que a vivenciam, a fim de construir cidades mais inclusivas.

Ar Condicionado — 17h, Sala 03

Quando os ares condicionados começam misteriosamente a cair dos apartamentos na cidade de Luanda, Matacedo e Zezinha, um guarda e uma empregada doméstica, têm a missão de recuperar o aparelho do chefe. Essa missão leva-os à loja de materiais elétricos do Kota Mino, que está a montar em segredo uma complexa máquina de recuperar memórias. “Ar Condicionado” é uma jornada de mistério e realidade, uma crítica sobre classes sociais e como nós vivemos em conjunto nas esperanças verticais, no coração de uma cidade que é passado-presente-futuro.

O Herói — 18h, Sala Manoel de Oliveira

Zezé Gamboa

Um país, uma cidade, um homem e a memória da guerra. Vitório pisa uma mina, perde a perna e é desmobilizado do Exército angolano. Nas ruas de Luanda, vai descobrir que a guerra continua e se trava em cada esquina. Com Joana, sonha com um amor impossível. Com Judite, reencontra a sua condição humana. Com Manu, inventa uma família possível.

Kabul, city in the wind — 20h, Sala 03

Aboozar Amini

Uma cidade é uma orquestração dos seus habitantes. O filme retrata a cidade de Cabul por meio de detalhes diários de duas crianças e um motorista de autocarro, tendo como pano de fundo uma cidade destruída por poderes políticos e religiosos.

A Ilha dos cães — 20h30, Sala Manoel de Oliveira 

Jorge António · Produção Cinemate (Ana Costa)

Um filme luso-angolano de ação e aventura, adaptação da obra Os Senhores do Areal, do escritor angolano Henrique Abranches. Centra-se na Ilha dos Cães, cujo nome é de origem desconhecida,  onde os trabalhadores de um resort pararam os seus trabalhos, com medo de uma matilha de cães selvagens que reclama a ilha, com a qual partilham o nome.

6 JUNHO

Cold Buffet — 11h, Sala 03

Kate Ledina

Um filme sobre o desenvolvimento de uma sociedade utópica e a situação atual de dois Kibutzim em diferentes estágios de privatização, com uma nova visão do movimento Bauhaus em Israel. Ruhama e Geva são dois Kibutzim em Israel localizados em partes muito diferentes do país, com valores e estilos de vida que já foram baseados nas mesmas ideias de uma sociedade sem classes, educação coletiva e propriedade compartilhada. Mas eles também partilham uma característica arquitetónica: ambos os refeitórios foram projetados por arquitetos, que foram ex-alunos da Bauhaus na Alemanha. Os ex-alunos da Bauhaus não apenas trouxeram uma nova forma de construir, mas também compartilharam muitos dos valores vividos nos povoamentos. Então, eles concentraram muito do seu trabalho em projetar aqueles, especificamente a parte mais importante dele, o refeitório: O centro social e cultural e o coração de um Kibutz e dos seus valores. Mas as salas de jantar de Ruhama e Geva mudaram, assim como a vida nos Kibutzim. A partir das histórias dos moradores dos dois povoamentos, o filme retrata a mudança de necessidade estrutural na transição sociopolítica. Muitos dos edifícios estão vazios ou não existem mais. Parece que a arquitetura se torna menos importante, quando a utopia subjacente está a desaparecer. O conceito Kibutz — e com ele a própria Bauhaus — falhou?

Cities (Territories & occupation) — 11h, Sala 03

Gusztáv Hámos, Katja Pratschke

Cidades (Territórios e Ocupação) tematizam “a cidade” dividida em distritos, bairros, zonas e domínios, marcados pelos limites do centro da cidade. O filme investiga como as cidades surgem e mudam por meio da migração, decadência, destruição, demolição, relocação, deslocamento.

Jungs von der Kante — 11h, Sala 03

Alexandra Leibmann

O documentário “Jungs von der Kante” (Boys of the edge) dá uma visão íntima da vida de um grupo de amigos de infância que têm à sua disposição um espaço longe da vida normal e no contexto da natureza. O seu abrigo auto-construído dá-lhes a oportunidade de se desdobrar livremente. A rotina diária de reuniões, a prática de BMX e a experiência de festa e transe permitem que esses jovens se unam fortemente. Mas agora o seu microcosmo, que se desenvolveu ao longo dos anos, está a ser ameaçado pelas exigências da cidade.

Chairs — 14h, Sala 03

Avner Pinchover

Um homem arremessa cadeiras contra a parede por 12 minutos no que parece ser um ataque de fúria sagrada. Essa expressiva performance para a câmera oscila entre satisfação e futilidade enquanto cria composições de beleza destrutiva.

The Real Thing — 14h, Sala 03

Benoit Felici 

The Real Thing encontra as pessoas que optam por viver e trabalhar em cidades copiadas dos marcos arquitetónicos mais famosos do mundo. Que histórias nascem do interior? The Real Thing é uma jornada rumo a uma cópia do nosso mundo.

Do outro lado do Mundo — 15h30, Sala Manoel de Oliveira

Sérgio Afonso

Duas histórias de amor protagonizadas por duas mulheres de culturas diferentes. A de Paulina, uma angolana do Bentiaba que conhece Johnny, um cidadão chinês que veio para Angola construir uma estrada que fica inacabada, e que deixa a Paulina dois filhos e a esperança de Agosto finalmente chegar. A de Sofia, que chega a Angola com o seu marido, Inácio, ex-bolseiro angolano na China, deixando no seu país o filho de ambos.Inserida numa cultura diferente, com um nome “adaptado” para ser mais fácil de pronunciar, “Sofia” procura entender se a mudança não a separou demasiado de si própria. As duas mulheres partilham a coragem e a ousadia de mudar o seu destino e quebrar barreiras culturais em prol da felicidade. O primeiro passo foi dado. O futuro é desconhecido.

Nos Jardins do Barrocal — 17h, Sala 03

Melanie Pereira

O Barrocal é um jardim imenso, de flores podadas e hortas cuidadas, de casas brancas e verdes, e barracas de pedra queimada. De ventos e eletricidade. Ondas e ondas de eletricidade. Sentada com quatro mulheres nos jardins de uma aldeia transmontana, a realizadora tenta reconstruir através de memórias partilhadas a aldeia do Barrocal do Douro, construída nos anos 50 em plena ditadura e denominada de aldeia ideal, cujo único objetivo era contratar operários para uma das primeiras barragens do rio Douro.

Magical Imperfection — 18h, Sala Manoel de Oliveira

Scott Calbeck

“Magical Imperfection” conta a história inspiradora do arquiteto canadense de renome mundial Raymond Moriyama. Preso no seu próprio país durante os anos 1940 por causa da sua raça, Ray encontrou forças para combater a injustiça dedicando a sua carreira à justiça social e à igualdade.

Perifèria — 20h, Sala 03

Xavi Esteban & Odei Etxearte

Uma cidade-sinfonia das margens de uma metrópole europeia como Barcelona. Perifèria leva-nos a uma viagem a Santa Coloma através dos ecos do seu passado. O subúrbio deste regime de Franco foi transformado numa cidade digna pelos seus próprios vizinhos. O arquiteto que projetou com eles essa transformação foi morto num cruel ataque terrorista. Os seus filhos recuperam seu épico e, com ele, a história de uma cidade inteira em luta. Esses tempos ressoam nas ruas, praças e rostos de hoje. É pela sua narrativa em espiral que somos convidados a refletir sobre o que sustenta a arquitetura de uma cidade e os nossos modos de vida: o que significa estar envolvido num mundo que parece não querer melhorar? Mais uma vez, a periferia será revelada como espaço de ensaio de modos de vida genuínos.

Mulheres — 20h30, Sala Manoel de Oliveira 

Allen Mamona

O filme “Mulheres” conta a história de José (Manuel Teixeira) um homem irresponsável e doente por mulheres, troca a vida familiar para viver uma aventura ao redor de várias mulheres. Para os vizinhos é conhecido como “Ti Paga Bwé” mas a família mergulha no sofrimento e na miséria.

DEBATES

AFRICA HABITAT

O Ciclo de Debates Africa Habitat, organizado em parceria com a Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, traz reflexões relacionadas com os temas tratados nos filmes do país convidado, Angola. Centra-se nas formas de intervenção socio-urbanística e habitacional nas margens urbanas, trazendo olhares e ideias para a melhoria da qualidade do habitat dos grupos de menores recursos. No atual contexto de urbanização acelerada, globalização e aumento das desigualdades socio-espaciais, é urgente refletir sobre o impacto destas intervenções, sobre a construção de cidades mais inclusivas. Os debates têm lugar no café do Cinema São Jorge.

Café do Cinema

02 JUNHO — 18h30

Cultura e resistência

Ana Inglez Fortes, 
Ermelindo Quaresma

Screening
Elinga Teatro, 52’

03 JUNHO — 18h30

Dipanda

Manuela da Fonte, 
Zéze Gamboa

Screening
Uma festa para viver,  35’ 
Afectos de Betao,  12’

04 JUNHO — 18h30

Música e periferia

Osvaldo Braz, 
Vitor Belanciano

Screening
Luanda, a Fábrica da Música, 54’

Moderação
Nádia Albuquerque

EXPOSIÇÕES

MUKANDAS DA N’GUIMBI

Mukandas da N’Guimbi (Recados da Terra, em kimbundu) apresenta criações originais de dois artistas angolanos, Lino Damião e Nelo Teixeira. Com uma diversidade de técnicas, os trabalhos abordam a temática da arquitetura e do espaço urbano. Interpretam as experiências e vivências dos artistas em bairros informais da sua cidade-natal, Luanda.

LINO DAMIÃO
Nossa Lua

Lino Damião (Angola, 1977) é artista plástico. Tem participado em várias exposições individuais e colectivas, em Angola, Cabo Verde, Macau e Portugal.

NELO TEIXEIRA 
Fragmentos da minha banda

Nelo Teixeira (Angola, 1975), artista auto-didata, formado em carpintaria e cenografia. O seu trabalho foi apresentado no Pavilhão Angolano na Bienal de Veneza de 2015. 

EQUIPA

Organização
Do You Mean Architecture
INSTITUTO

Direção & Programação 
Sofia Mourato
Paulo Moreira

Curadora Convidada 
Marta Lança

Comité de seleção 
Sofia Mourato
Liz Sandoval
Fábio Petronilli
Martine Bouw

Júri 
Fernanda Fragateiro
Fernanda Polacow
Inês Ponte
Pedro Campos Costa
Richard John Seymour

Produção
Joana Graça
Catarina de Almeida Brito

Gestão de cópias 
Sofia Mourato

Apoios e Parcerias 
Daniela Silva

Assessoria de imprensa & comunicação 
Rita Neves

Design & Webdesign

Spot Arquiteturas
Isa Rodrigues

Fotografia 
João Ana

Design de Troféu 
Sandrine Vieira

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