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Mella Center Lisboa, conversa com General D

Sustentabilidade! Sustentabilidade é uma das palavras que mais se associa a “recursos naturais” quando se fala em projetos em África. Mas também para a diáspora africana em Lisboa, a palavra ou o conceito de sustentabilidade está a ganhar importância mas a nível da expressão cultural. Segundo o fundador do Mella Centre Lisboa, Sérgio Matsinhe, mais conhecido como General D,  “O Mella Centre Lisboa tem como principal objetivo criar plataformas de sustentabilidade para o povo africano e, principalmente, para o povo africano na diáspora.”

 

O que é o Mella Centre?

O Mella Centre é uma organização pan-africana que tem como principal objetivo criar plataformas de sustentabilidade para o povo africano e, principalmente, para o povo africano na diáspora. Visa também encontrar pontes séria e sólidas, não só na conversa, de pontes de comunicação e de intercâmbio entre a diáspora africana em diferentes países.

O foco é, portanto, na diáspora africana.

O foco, por agora, é na diáspora. Mas nós não podemos fazer qualquer tipo de desenvolvimento ou de projeto na diáspora sem recorremos à fonte. A fonte é sempre o principal objeto de tudo. E é claro que África e as pessoas que vivem no continente fazem parte de todo o programa.

Defendes um ponto de convergência para os africanos na diáspora. O Mella Center de que vamos falar aqui é o Mella Center Lisboa. Mas já existe um em Londres que tu organizaste. Existem outros?

Não por enquanto só há um em Londres e estou a transportar a mesma ideia para Lisboa.

Então, tu também iniciaste o Mella Centre de Londres…

Exatamente. E em Londres era também com a mesma ideia. E o que nós fazemos em Londres é muito à base do comércio, porque no fundo queremos cultivar muito a ideia da indústria, a ideia económica de sustentabilidade. No fundo é criar essa ideia e desenvolver essa ideia. Nós acreditamos que entre as comunidades existem formas independentes de criar uma autonomia. Agora, é preciso frisar, que esta mesma autonomia não é uma separação.

Não é uma separação em relação a quê? 

Às outras comunidades.

Às comunidades locais nas quais a diáspora africana está inserida. Por exemplo, Londres ou Lisboa?

Exatamente. É uma forma de nós nos organizarmos e, de forma coesa e estruturada, podermos depois apresentar e contar a nossa própria história.

E agora tentando visualizar as coisas. Disseste que em Londres o foco é mais comercial. O que é que vocês comercializam em Londres?

Em Londres como também está a ser em Lisboa. Nós criámos, em Londres, a Feira Africana que acontece todos os dias. Temos um espaço grande que dividimos em pequenos cubículos e depois subalugamos essas pequenas unidades a africanos que queiram expor os seus produtos. É baseado nisso. Também temos um espaço que as pessoas podem alugar para fazer workshops de todo tipo. E é criar essa comunidade e a ideia de desenvolver recursos económicos. Nós alugamos a sala e a pessoa que aluga a sala é que vai financiar o seu próprio evento. Nós não temos ninguém que vá financiar, nem começámos com patrocínios ou nenhuma ajuda do governo e nem sequer com nenhum empréstimo do banco. Entre as comunidades procuramos formas de financiarmos os nossos próprios projetos.

 

 

Então o Mella Center é um espaço ao qual as pessoas podem recorrer…

Eu não diria que o Mella Centre é um espaço. O Mella Centre é uma ideia.

Sim, mas em termos práticos, se uma pessoa quiser usufruir das condições que estás a explicar, como a possibilidade de alugar um espaço para o desenvolvimento de ideias comerciais ou não. Em Lisboa vocês começaram num espaço aberto, no Largo do Intendente, a fazer a “Mostra de Artes Africanas”. Essa é a primeira iniciativa do Mella Centre Lisboa?

Sim, esta é a primeira iniciativa e é outra vez a ideia económica, criando uma feira.

Porque achas que a ideia económica é tão importante?

A ideia económica é fundamental. Uma revolução precisa de balas e precisa de livros, mas as balas e os livros custam dinheiro. Na minha opinião, é utopia pensar que podemos fazer essas coisas sem pensar como vamos financiar os nossos projectos. E nós temos de desenvolver essas ideias para financiarmos os nossos próprios projetos, porque se não acontece o que tem acontecido até aqui,que é nós queremos fazer projetos, mas depois estamos dependentes daquelas pessoas com as quais não nos identificamos.

Qual é o resultado dessa dependência?

O resultado é que os projetos não são autónomos, acabam sempre por ser deturpados, e causa uma dependência por parte das pessoas que estão dentro do projeto, porque dependem dos patrocinadores. E os patrocinadores depois têm a sua própria agenda e essa agenda nem sempre caminha de mãos dadas com a ideia inicial do projeto. Por isso, é muito importante nós começarmos a pensar em meios, mesmo que sejam mais reduzidos, de criar o nosso próprio financiamento.

Para quem não foi à primeira iniciativa do Mella Centre, a primeira edição da “Mostra de Artes Africanas” [05.07.14], podes explicar como foi? Fazer um balanço?

A primeira Amostra correu bastante bem. Os feirantes apareceram num número considerável. Os feirantes estavam muito contentes, conseguiram mostrar os seus produtos e conseguiram vender alguns dos seus produtos. Economicamente resultou. Culturalmente resultou. Por isso penso que foi um sucesso. Daí avançarmos para a segunda [09.08.14] e para uma terceira [14.09.14] e pensamos fazer uma mensalmente. Para além disso temos em agenda outros projetos que vão complementar a ideia do Mella Centre.

 

 

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