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Um olhar sobre o “povo artista”

Localizada no Botswana, e como tantas outras, a tribo Nbedele preserva a sua língua e  cultura. No entanto, é na arte que se destaca. Frequentemente chamados de “povo artista”, os seus trabalhos são conhecidos mundialmente, desde colares e ornamentos de missangas, a coloridas casas cuidadosamente ornamentadas pelas matriarcas.  

E de facto, esta arte é o cartão-de-visita para a tribo Nbedele, que ganha destaque a nível estético, e que vai além do seu significado cultural, o que torna este grupo étnico tão ímpar. A pintura das fachadas das casas resulta da opressão sofrida pelo povo após serem derrotados pelos conhecidos colonos de língua holandesa, os Boers. Em finais do século XX, o povo oprimido passou então a utilizar as pinturas como simbologia de identificação entre si, comunicando secretamente uns com os outros através da arte, de modo genialmente impercetível para o inimigo. Além de símbolo de resistência, este “meio de comunicação” ganhou novo significado, tornando-se tradição passada de geração em geração.

Planeadas previamente, e caracteristicamente simétricas e proporcionais, as pinturas são feitas à mão, sem o uso de qualquer instrumento. Até meados dos anos 40 do século XX, apenas pigmentos naturais eram utilizados na decoração das casas, embora mais tarde tenham sido introduzidos os pigmentos acrílicos e, através de influências externas, as pinturas lentamente foram-se desviando da sua estética original, transformando-se numa mistura de elementos modernos e de conceitos artísticos ancestrais. Onde tradicionalmente predominavam tons terra suaves, feitos de ocre e diversas variedades de argila, em tons branco, castanhos, rosa e amarelos, hoje em dia o uso de cores brilhantes como azuis, vermelhos, verdes e amarelos dá uma nova vida às pinturas. Com o aparecimento de outros tipos de representações aliados aos tradicionais desenhos geométricos, e a pintura dos interiores das casas, torna-se visível a influência exterior, à medida que a sociedade Nbedele é cada vez mais ocidentalizada.

A relação entre a mulher e a arte Nbedele é evidente. Além de artesãs, estas mulheres são exclusivamente responsáveis pela criação das pinturas estampadas nos frontispícios das suas casas, onde há algo mais implícito do que o seu dever de cumprir tal tarefa. Oferece à mulher, tradicionalmente subordinada, a oportunidade de expressar a sua individualidade, através da escolha de padrões, cores, desenhos e combinações. Por conseguinte, o visual da casa é um resultado da expressão da mulher, esposa e mãe que a ornamenta.

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